Júri de goleiro Bruno fica para março

Atleta consegue ser excluído de julgamento de morte de Eliza Samudio; dos 5 réus do início, sobraram apenas Macarrão e ex-namorada

MARCELO PORTELA / CONTAGEM, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2012 | 02h04

Após dois dias marcados por manobras da defesa dos acusados de envolvimento no sequestro e assassinato de Eliza Samudio, o goleiro Bruno Fernandes, ex-amante da vítima, também conseguiu ontem ser excluído do julgamento que ocorre desde segunda-feira no Fórum de Contagem, Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG).

Depois de determinar o desmembramento do processo, a juíza Marixa Fabiane Lopes marcou para 4 de março de 2013 o novo julgamento do atleta. Com isso, permaneceram no atual processo apenas o braço direito do jogador, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, e uma ex-namorada do goleiro, Fernanda Gomes de Castro.

No dia 4, além de Bruno, que é acusado do sequestro, cárcere privado, assassinato e ocultação do cadáver de Eliza, também devem ser julgados o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, a ex-mulher do jogador, Dayanne Rodrigues do Carmo, Wemerson Marques de Souza, conhecido como Coxinha, e Elenílson Vitor da Silva. Bruno e Bola vão aguardar presos.

No primeiro dia do julgamento, o caso de Bola já havia sido desmembrado depois de seus advogados abandonarem o plenário. No dia seguinte, o goleiro destituiu seu principal advogado, Rui Caldas Pimenta, em manobra que o também defensor Francisco Simim admitiu ter o objetivo de adiar o julgamento do atleta. A juíza, porém, determinou o desmembramento apenas em relação a Dayanne, que também tem Simim como advogado.

Ontem, porém, o goleiro finalmente conseguiu empurrar seu julgamento para o ano que vem ao nomear para sua defesa o advogado Lúcio Adolfo Silva, que pediu o adiamento para que tenha tempo para estudar o processo, composto por quase 15 mil páginas. Adolfo já chegou a representar o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.

Expectativa. Na noite de ontem, o julgamento ainda estava em andamento e a estimativa era de que a sessão fosse encerrada apenas na madrugada de hoje. Além do depoimento de uma série de testemunhas por meio de vídeo, Macarrão começou a ser ouvido às 23h. O depoimento poderia demorar 6 horas. A expectativa da acusação era de que Macarrão confessasse sua participação no crime, livrando o goleiro. "A confissão é boa para o réu. Eu não preciso dela. Nenhum deles vai escapar", afirmou o promotor Henry Wagner Vasconcelos.

Uma das testemunhas ouvidas ontem foi a mãe de Eliza, Sônia Fátima de Moura, que, apesar de dizer que "não guarda ressentimentos", afirmou não ser capaz de perdoar Bruno. O goleiro teve um filho com Eliza e a criança hoje está sob a guarda de Sônia, que contou ainda nunca ter recebido nenhum tipo de ajuda do jogador ou de sua família para criar o menino, batizado com o nome do pai.

A recusa em reconhecer a paternidade da criança - que só ocorreu por determinação da Justiça - teria sido, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, o motivo que levou o atleta a planejar a morte da ex-amante.

Além de Sônia, foram ouvidas outras testemunhas da defesa, como Marcos Vinícius Carlindo, amigo de Macarrão.

Bebê. Na sessão, foram exibidos também os depoimentos dos caseiros José Roberto e sua mulher Gilda Maria Alves, que trabalhavam no sítio de Bruno, em Esmeraldas. Eles confirmaram que Eliza estava na propriedade com o bebê no período em que foi vista pela última vez, mas relataram não ter percebido nenhum ferimento ou ameaça à vítima.

Os depoimentos foram em vídeo, pois as testemunhas pediram para serem ouvidas sem a presença dos acusados. Mas o maior burburinho no plenário foi causado mesmo pela exclusão de Bruno do processo.

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