Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Júri de chacina tem protestos a favor de condenação e absolvição

Parentes das vítimas pedem que os denunciados sejam considerados culpados pelos ataques que resultaram em 17 mortes; já familiares dos réus contestam processo

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

18 Setembro 2017 | 14h19

OSASCO - "Justiça" é a palavra mais ouvida do lado de fora do Fórum Criminal de Osasco, na Grande São Paulo, onde dois policiais militares e um guarda-civil de Barueri são julgados a partir desta segunda-feira, 18, acusados de cometer a maior chacina da história de São Paulo, que terminou com 17 mortos em agosto de 2015. Para familiares das vítimas, "justiça" é a condenação. Já os parentes dos réus pedem absolvição.

"Espero que hoje se faça justiça, mas sei que isso pode não ocorrer porque aqui é o Brasil, e Brasil é impunidade", diz Rosa Correa, mãe de Wilker Osório, morto com 40 tiros - a maior quantidade de disparos da série de ataques.

Na denúncia do Ministério Público, a acusação aponta que um dos réus já teria prendido Wilker por tráfico. Estampados em uma faixa, familiares trouxeram retratos das vítimas.

Já familiares do guarda-civil municipal (GCM) Sérgio Manhanhã, acusado de participar de 11 dos assassinatos, trouxeram faixas e plaquinhas de "Joinha não é droga". O principal indício contra o guarda é uma troca de uma mensagem com outro acusado na hora da chacina.

"A gente pede por justiça: ele não teve nem tempo de se defender", afirma Eliete Manhanhã, de 43 anos, casada com o GCM há 25, que diz que o réu estava dentro do batalhão no momento da chacina. "A investigação foi manipulada. Eles tinham que prender um GCM."

Segundo a acusação, a morte de um guarda civil e de um PM foi o motivo da chacina. "Viemos porque estamos juntos nessa luta", diz Roberto Alves, tio do PM Victor Cristilder, que teve o processo desmembrado e só vai ser julgado depois.

São réus, ainda, os PMs Fabrício Eleutério e Thiago Henklain. Todos alegam inocência. Para o julgamento, foram arroladas 43 testemunhas, mas algumas devem ser dispensadas ao longo do julgamento.

Promotoria

Antes do júri, o promotor Marcelo Alexandre de Oliveira, responsável pela acusação, fez um pedido: "Provas que não foram produzidas por medo sejam consideradas".

Segundo o promotor, relatos de testemunhas coletados na investigação não foram reafirmados nas fase seguintes do processo. "As testemunhas tinham medo de andar na calçada e serem mortas."

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