Júri dá pena leve a réu que bebeu e matou carona

Entendimento foi que a vítima sabia do risco que corria ao entrar no carro de um motorista bêbado. Promotoria vai recorrer

CHICO SIQUEIRA , ESPECIAL PARA O ESTADO , ARAÇATUBA , O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2011 | 03h05

A Justiça de São José do Rio Preto, no interior paulista, condenou ontem o lustrador de móveis Eurípedes Vicente de Jesus, de 36 anos, a três meses de prisão por causar um acidente automobilístico embriagado e matar o acompanhante que levava no banco do passageiro. A pena pode ser transformada em serviços prestados à comunidade.

Em julho de 2006, Jesus saiu de uma boate às 5h da madrugada e, depois de fazer manobras arriscadas e dirigir em alta velocidade, capotou o carro na marginal da Rodovia Washington Luís (SP-310), matando o comerciante Varli dos Santos, pai de cinco filhos e então com 33 anos de idade.

Antes de capotar, o carro derrubou um poste de concreto e três árvores. Jesus fugiu, mas foi localizado pela polícia, quando andava cambaleando por uma rua das proximidades.

O lustrador de móveis seria julgado por homicídio com dolo eventual (quando o réu assume o risco de matar), cuja pena seria bem maior. Mas o júri entendeu que seu acompanhante também assumiu o risco de morrer ao entrar o no veículo de Jesus e, por isso, desqualificou o julgamento para homicídio culposo.

Além dos três meses de trabalhos comunitários, Jesus também teve a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa por cinco anos e 13 dias.

Responsável pela acusação, o promotor do caso, Marcos Antonio Lélis, não gostou da decisão do Tribunal do Júri. O Ministério Público, que pedia a condenação por homicídio com dolo eventual, vai recorrer da sentença. Segundo Lélis, a decisão do júri foi injusta ao desqualificar o homicídio de eventual dolo, cuja pena chegaria a 6 anos.

O recurso, segundo ele, é para que seja imposta uma pena mais justa, uma vez que o motorista agiu com imprudência e causou a morte de uma pessoa.

Eurípedes Vicente de Jesus foi condenado ainda a pagar multa de R$ 10 mil. O acidente de trânsito ocorreu em 2006.

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