Júri condena três skinheads a até 21 anos de prisão

Rogério Moreira, Milton Gonçalves do Nascimento e Jorge Gonzalez são acusados de agredir 4 pessoas durante a Jornada Antifascista

O Estado de S.Paulo

04 Julho 2014 | 02h01

Atualizado às 08h55

SÃO PAULO - Após 4 dias de júri, três skinheads foram condenados nesta quinta-feira, 3, pela tentativa de homicídio de quatro homens durante evento antifascista, em fevereiro de 2011, no centro de São Paulo. A maior pena ficou com Rogério Moreira, que deve cumprir 21 anos e cinco meses de reclusão. Milton Gonçalves do Nascimento foi condenado a 18 anos e oito meses, e Jorge Gonzalez recebeu 16 anos e três meses. De acordo com o Tribunal de Justiça (TJ), um quarto acusado (Raphael Dierings) também seria julgado, mas morreu em janeiro por overdose de drogas. O julgamento ocorreu no 1º Tribunal do Júri do Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo.

O evento, organizado por anarcopunks, estava em sua 11ª edição e homenageava o adestrador Edson Neri, assassinado por skinheads na Praça da República, na região central, em fevereiro de 2000. Duas pessoas ficaram gravemente feridas, entre elas Isaías Lázaro Lopes, que foi esfaqueado na testa e teve o crânio perfurado.

Em sua sentença, o juiz Fernando Oliveira Camargo ressalta a periculosidade dos acusados, “adeptos a grupos que disseminam discriminação entre pessoas, contra objetivo fundamental da República Federativa do Brasil”.

“As vítimas de tentativa de homicídio estão vivas e atemorizadas, razão pela qual se mostra inadequado manter os acusados em liberdade. Trata-se ainda de crime de ódio que justifica ainda mais a segregação cautelar dos acusados”, afirma o juiz.

Caso. No dia 26 de fevereiro de 2011, cerca de 25 pessoas assistiam às apresentações de bandas punks em um prédio na Rua das Carmelitas, no centro de São Paulo, durante o evento Jornada Antifascista. Um grupo de cerca de dez skinheads atacou primeiro o deficiente físico Marcio da Silva de Oliveira, na época com 25 anos, com um taco de beisebol e socos ingleses.

Segundo o promotor de Justiça Fernando Cesar Bolque, os criminosos tentaram ainda tirar a perna mecânica de Oliveira, o que gerou revolta das outras pessoas que estavam ali.

O grupo foi caminhando em direção ao Terminal Parque Dom Pedro, onde câmeras de segurança gravaram os acusados "enfileirados" e, depois do confronto com outras pessoas, guardando objetos dentro de um case de violão. Após as agressões, eles tentaram fugir, mas Gonzalez, Nascimento e Moreira foram presos com os objetos no terminal. Um adolescente, na época com 17 anos, também foi detido e cumpriu um ano de pena na Fundação Casa.

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