Júri absolve 2 PMs no caso do grupo de extermínio Highlanders

Por quatro votos a dois,jurados inocentaram acusados de decapitar dois rapazes; Promotoria ainda pode recorrer

Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

19 Março 2011 | 00h00

Era meia-noite de quinta para sexta-feira no Fórum de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, quando, após 14 horas de julgamento, o juiz Antonio Augusto Galvão de França Hristov leu o veredito: os policiais militares Jorge Takiguti e João Bernardo da Silva foram absolvidos, por quatro votos a dois, da acusação de matar e decapitar dois rapazes em 2008. Eles eram acusados de integrar o grupo de extermínio Highlanders.

O nome faz alusão ao filme em que o guerreiro protagonista decapitava inimigos. A polícia atribui aos Highlanders o assassinato de pelo menos 12 pessoas, cinco decapitadas.

O advogado de Jonas Santos Bento, o outro PM que também seria julgado ontem, não compareceu, alegando motivos de saúde. O julgamento foi transferido para 1.º de novembro.

Takiguti e Silva eram acusados de homicídio duplamente qualificado - por motivo torpe e impossibilidade de defesa das duas vítimas: Roberth Sandro Gomes, de 19 anos, e Roberto Aparecido Ferreira, de 20. Testemunhas dizem que os jovens foram abordados por uma viatura da Força Tática na madrugada de 6 de maio de 2008. Seus corpos foram encontrados decapitados em Itapecerica da Serra.

"A tese da defesa sempre foi baseada no fato de que Takiguti e Silva não estavam de serviço naquela noite", disse Celso Vendramini, advogado dos dois policiais, acrescentando que, estando de folga, seria muito difícil que os policiais saíssem do 37.º Batalhão com uma viatura. Um carro oficial foi usado no crime.

A defesa argumentou ainda que os depoimentos das testemunhas eram contraditórios. A irmã de uma das vítimas chegou a admitir que havia mentido em um ponto de seu depoimento à polícia - apesar de ser sobre um pequeno detalhe, sua imagem teria ficado abalada perante o júri.

O promotor Vitor Petri, responsável pela acusação, não se manifestou. "Ele tem cinco dias para apresentar recurso de apelação, mas ainda não o fez", explica o juiz Antonio Hristov. Para ele, o julgamento transcorreu dentro da normalidade e nenhum dos envolvidos "apresentou argumentos de nulidade".

Presos. Há ainda outros três acusados de envolvimento na morte de Roberth e Roberto, que devem ser julgados em 15 de setembro: Rodolfo Vieira, Marcos Aurélio Lima e Ronaldo Rei dos Santos. Vieira, apontado inicialmente como chefe dos Highlanders, foi condenado, com outros três colegas, a 18 anos e oito meses de prisão por assassinato e decapitação do deficiente mental Antonio Carlos Silva Alves, o Carlinhos, em julho. Eles estão presos no Romão Gomes.

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