André Lessa/AE
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Jurados se reúnem para decidir sentença de Lindemberg

Réu é acusado de 12 crimes, entre os quais, sequestro e morte de Eloá Pimentel, de 15 anos

16 de fevereiro de 2012 | 16h30

Os jurados que decidirão a sentença de Lindemberg Alves, de 25 anos,  se reúnem na sala secreta do Fórum de Santo André para concluir o veredicto sobre o julgamento. O réu é acusado de 12 crimes, entre os quais, sequestro e morte de Eloá Pimentel, de 15 anos.

 

Depois da fala da defesa de Lindemberg, a promotoria desistiu da réplica. A condenação do réu deve sair nas próximas horas.

 

No começo da tarde, durante o debate do julgamento de Lindemberg Alves, de 25 anos, a advogada de defesa disse que não pretende que o réu seja absolvido da acusação de matar a ex-namorada Eloá Pimentel. 'Ele errou, tomou as decisões erradas e deve pagar por isso, mas na medida do que ele efetivamente fez', disse Ana Lucia Assad.

 

Segundo a defesa, no entanto, Lindemberg deve ser condenado por homicídio culposo, porque ele agiu com culpa consciente, mas não previu o assassinato. 'Ele não desejou o resultado', afirmou a advogada, 'ele sofre pela morte dela', completou.

 

Ana Lucia voltou a atacar a mídia ao apontar outros possíveis causadores da Eloá. 'No meu ponto de vista, há dois corresponsáveis por este processo. Alguns membros da imprensa e alguns policiais. Não podemos dar essa conta toda para o Lindemberg pagar. Isso não é justiça.'

 

A advogada também defendeu o réu sobre a tentativa de homicídio contra Nayara Rodrigues, amiga de Eloá que também foi feita refém em Santo André. Segundo Ana Lucia, a menina 'voltou ao apartamento porque quis'. 'Ele não tentou matar a Nayara. Ele se assustou e atirou. Condenem-o por lesão corporal culposa', afirmou ao júri.

 

Imagem. A defesa também projetou a imagem de Lindemberg para os jurados. 'Enxerguem esse rapaz como um parente dos senhores, pois ele não é bandido. (Ele) não falou antes porque eu sabia que ele seria pronunciado e a decisão caberia aos senhores'.

 

Para Ana Lucia, Lindemberg é um bode expiatório para responder pelo crime. '(Ele) é a bola da vez. Isso acontece só porque ele é pobre.' E acrescentou: 'Esperamos que os senhores saiam daqui com a certeza de terem tomado a decisão certa'.

 

Terceiro dia. Lindemberg Alves quebrou o silêncio. No terceiro dia de júri, o réu confessou ter atirado contra a adolescente após um movimento brusco da parte dela, mas não se lembra do disparo contra Nayara Rodrigues.

 

Segundo ele, o tiro contra Eloá foi dado depois que ouviu uma explosão na porta do apartamento em que mantinha a vítima refém havia mais de cem horas, em Santo André, no ABC. Ao ser interrogado, disse ainda que, durante todo o episódio, esteve nervoso, pressionado pela presença da polícia e ainda acreditando em uma suposta traição de Eloá.

 

Logo no início do interrogatório, Lindemberg se mostrou seguro e pediu perdão à família da vítima. 'Entendo a dor da dona Tina (Ana Cristina, mãe de Eloá) e aproveito a oportunidade para pedir perdão por tudo o que aconteceu, em público', disse.

 

Segundo dia. O depoimento do negociador do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), capitão Adriano Giovanini, causou um choque de versões. Mais de três anos após a morte de Eloá, no ABC, ele continua a afirmar que um disparo no apartamento motivou sua invasão pela Polícia Militar. Sua versão diverge do que relatou a única testemunha ocular, a estudante Nayara Rodrigues da Silva, que alegou que Lindemberg só atirou após ação do Gate.

 

Na parte da manhã, os depoimentos que mais chamaram a atenção foram os dos irmãos da vítima: testemunharam o caçula, Everton Douglas Pimentel e Ronickson Pimentel dos Santos. Em ambos os relatos, os garotos ressaltaram a agressividade e o desequilíbrio de Lindemberg em querer a posse de Eloá. 'Uma pessoa dessas não pode ser considerada ser humano. Podem dizer que era trabalhador, não importa. Ele não é digno de estar na sociedade'.

Primeiro dia. Na segunda-feira, a principal testemunha foi a de Nayara, amiga de Eloá.

 

Emocionada ao relembrar da tragédia e mesmo confrontada pela advogada de defesa, Ana Lúcia Assad, ela garantiu que Lindemberg planejou o crime. Eloá 'não sairia de lá viva', segundo disse.

Foram ouvidos também os dois amigos de Eloá mantidos como reféns - Victor Lopes e Iago Vilela de Oliveira, ambos de 18 anos. Os dois confirmaram que Lindemberg tinha intenção de matar Eloá desde o início e relataram que foram agredidos pelo réu. Iago prestou depoimento na frente do acusado e afirmou que ele se 'gabava do poder' que adquiriu ao invadir o apartamento, no ABC paulista.

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