Jurados se reúnem para dar sentença a PMs julgados por massacre no Carandiru

O último dia de audiências do júri do quarto andar do Pavilhão 9 foi marcado por ataques pessoas e discussões acaloradas entre Promotoria e Defesa

Luciano Bottini Filho, O Estado de S. Paulo

19 Março 2014 | 16h08

SÃO PAULO - Os sete jurados do júri dos PMs acusados pelas mortes no quarto andar do Pavilhão 9 do Carandiru em 1992 já estão reunidos para dar um veredito. Às 15h15 desta quarta-feira, 19, a fase de debates foi encerrada e eles foram para a sala secreta do Plenário 10 do Fórum Criminal da Barra Funda, onde deverão responder 550 quesitos, segundo o juiz Rodrigo Tellini.

O advogado Celso Vendramini pediu que as perguntas sejam respondidas por aclamação (em blocos), sem necessidade de serem repetidas para cada uma das vítimas. As questões que os jurados deverão responder são, por exemplo, se os presos foram mortos por tiros na operação e se os réus devem ser absolvidos.

Debates. O último dia de audiências do júri do quarto andar do Pavilhão 9 foi marcado por ataques pessoas e discussões acaloradas entre Promotoria e Defesa. Vendramini usou a maior parte das suas duas horas no plenário para criticar a atuação dos promotores e do Judiciário ao longo do processo. Houve bate-boca e o juiz precisou intervir para acalmar os ânimos.

"Cale a boca. Você é um moleque", exclamou o defensor ao promotor Eduardo Olavo Canto Neto. Em outro momento, o advogado o chamou de "ignorante" por que teria feito uma falsa acusação de que o defensor teve uma condenação por causa de comentários em um programa de auditório. Vendramini também questionou diversas vezes os conhecimentos jurídicos do promotor Márcio Friggi, que é também professor universitário.

As farpas entre promotores e advogado fizeram as duas últimas horas de debate ficarem centradas no duelo entre advocacia e Ministério Público no júri. "O senhor é um eterno injustiçado", disse Canto Neto. "Venha ser advogado. O senhor tem tudo na mão", retrucou o criminalista.

Em um dos momentos, Vendramini reconheceu que houve excessos na invasão do Carandiru, mas que os réus do primeiro e segundo andar já foram condenados."Eu não sou hipócrita. Houve policiais que fuzilaram".

Em tom inflamado, o advogado encerrou a argumentação entoando uma música de Roberto Carlos, "É preciso saber viver" e disse aos jurados: "Vocês têm que escolher entre o bem, que é a Polícia Militar de São Paulo, e o mal, os presos do Carandiru".

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