Julinho Carambola é condenado a 29 anos de prisão

Durante o julgamento de mais de 14 horas, líder número 2 do PCC disse que não faz parte da facção

02 de outubro de 2009 | 05h54

Depois de quase 14 horas de julgamento, Júlio César Guedes de Moraes, o Julinho Carambola, de 37 anos, foi condenado a 29 anos de prisão. O júri foi composto por sete pessoas, das quais a maioria votou pela condenação. O advogado de defesa do réu afirmou que vai recorrer da sentença. Carambola é apontado pelo Ministério Público Estadual (MPE) como o número 2 na hierarquia do Primeiro Comando da Capital (PCC) e um dos mandantes do assassinato do juiz-corregedor de Presidente Prudente, Antonio José Machado Dias.

 

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Durante o julgamento, ele disse que não é integrante do PCC e negou ter participado do crime.  "Fui absolvido dessa acusação. Não sei nem o que é PCC", respondeu Carambola. Um dos álibis apresentados por Carambola foi que, na época do crime, ele estava incomunicável, isolado no Centro de Readaptação Penitenciária de Presidente Bernardes.

 

Diante das negativas do preso, o promotor Carlos Roberto Marangoni Talarico reproduziu uma gravação de 8 minutos, interceptada pela polícia com autorização da Justiça, em que um funcionário da administração penitenciária conversa com outro homem. Os dois falavam sobre o morte do juiz. O funcionário diz que a situação dos presos não teria se modificado com a morte do juiz. A voz, que seria de Carambola, responde: "Melhorou". O réu disse não reconhecer sua voz na gravação.

Antes de Carambola, prestaram depoimento no Fórum da Barra Funda duas testemunhas arroladas pela acusação - os delegados Godofredo Bittencourt e Ruy Ferraz Fontes - e dois pela defesa - a delegada Ieda Maria Figueiras e o diretor de presídio Antônio Sérgio de Oliveira. Os dois primeiros confirmaram que Carambola é um dos líderes do PCC, ao lado de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. Disseram ainda que todas as decisões importantes para a facção, como o assassinato do juiz Machado Dias, passavam pelo crivo de Marcola e Carambola. "O Julinho fazia parte do staff maior do comando", declarou Bittencourt. A defesa tentava desacreditar as testemunhas, por meio de insinuações de corrupção policial.

A delegada contou detalhes de seu trabalho no caso. O diretor de presídio foi questionado pela defesa sobre a rigidez das normas de segurança em Bernardes. Os advogados queriam provar que Carambola não poderia ter dado a ordem para executar o juiz. O diretor disse ainda que o réu faz parte do PCC e que a facção intimida agentes prisionais e presos.

O conselho de sentença, formado por quatro homens e três mulheres, foi sorteado pouco depois de o juiz-presidente do 1º Tribunal do Júri, Alberto Anderson Filho, ter afastado seis pedidos formulados pela defesa dos réus. O advogado de Carambola, Cláudio Márcio de Oliveira, pediu ao magistrado que reconhecesse a existência de três nulidades no processo - que inviabilizariam a sessão. O juiz as refutou. Em seguida, o advogado de Marcola deixou o plenário (leia ao lado).

Era pouco depois de 14h30 quando o juiz Anderson Filho declarou instalado o júri dos chefes do PCC. Carambola passou o tempo todo impassível. Não reagiu nem quando as testemunhas de acusação o apontaram como líder do PCC e mandante do crime. Riu uma única vez, quando três cadeiras do plenário quebraram e as pessoas que estavam sentadas foram parar no chão - o susto levou a mão de alguns dos policiais que faziam a segurança do plenário ao coldre de seus revólveres.

O plenário modesto, para apenas 40 lugares, não parecia abrigar o júri de um dos mais graves crimes cometidos pelo PCC. A segurança ostensiva não indicava nenhuma preocupação especial no Fórum Criminal da Barra Funda. Mas a verdade é que a Secretaria da Segurança Pública e a Justiça montaram uma operação sigilosa de segurança. Dezenas de policiais militares em trajes civis reforçaram o patrulhamento do lugar. O esquema disfarçado tinha um duplo objetivo: surpreender as pessoas suspeitas, mas também "não aumentar o cartaz de bandidos".

 

Bruno Tavares e Marcelo Godoy, de O Estado de S. Paulo, e Leandro Calixto e Josmar Jozino, do Jornal da Tarde

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