Julgamento de Farah deve terminar na noite desta sexta

Pesam a favor do médica acusado de matar ex-namorada depoimentos de familiares e ex-funcionárias

da Redação, estadao.com.br

17 de abril de 2008 | 14h08

Julgamento do médico Farah Jorge Farah deve ser encerrado na noite desta sexta-feira. Em dois dias, 23 testemunhas já foram ouvidas. No segundo dia do julgamento do médico pelo assassinato de Maria do Carmo, em janeiro de 2003, os depoimentos penderam para o lado de Farah, que alega legítima defesa.   Além das contradições do marido e das outras testemunhas, pesam a favor de Farah depoimentos de familiares e ex-funcionárias. Eles confirmaram a perseguição feita por Maria do Carmo - a defesa fala em 100 ligações diárias, em média -, o desespero que as atitudes dela causavam no médico e a "tortura" de seus parentes, também importunados em suas casas com os telefonemas em que procurava por ele. Onze pessoas foram ouvidas na quarta, 21 no total.Uma das principais testemunhas de acusação, a ex-paciente Ana Maria Teixeira de Matos, tornou-se uma peça chave na defesa, graças a dois fatos, fundamentalmente. Ana Maria afirmou que, ao acordar de um procedimento cirúrgico na clínica de Farah, surpreendeu-se com pênis do médico em sua boca, mas, como estava sedada, não teve certeza se era realidade ou delírio. Apesar disso, relata que não contou o ocorrido ao marido e manteve uma relação de amizade com o réu e sua família por cerca de dois anos. "Tinha dó dele (compaixão porque ele tinha câncer) e dos pais dele", justificou.Farah registrou um boletim de ocorrência contra Ana Maria, descrevendo uma situação muito semelhante à de Maria do Carmo. Relatou à polícia que teve um caso com ela e, após o término da relação, ela passou a persegui-lo. Uma outra ex-paciente, amiga de Ana Maria, também foi enquadrada pelo médico no BO. A testemunha negou o caso, mas deixou brechas no depoimento. Perguntada se foi alguma vez ao apartamento dele, a ex-paciente negou. No entanto, indagada especificamente sobre um dia em que seu carro ficou estacionado na garagem dele até às 4 horas da manhã, admitiu tê-lo visitado. Em seguida, assumiu ter ido lá ainda outra vez.Abuso sexual No total, quatro mulheres alegaram ter sido molestadas pelo médico - nos depoimentos, todas pediram que ele fosse retirado do plenário, assim como o porteiro Lima. Algumas dessas testemunhas relatam que suas cirurgias plásticas foram mal sucedidas. "Falavam de frutas, que ele bebia o sangue, que se masturbava", disse ontem uma das testemunhas, sobre outras ex-pacientes. Sandra Maria Sampaio afirmou ter se consultado com Farah para fazer uma cirurgia no seio e que o resultado foi bastante insatisfatório. Ela declarou que foi beijada pelo médico durante a operação, "pegou trauma de beijo" e deixou que as filhas a beijassem somente após 11 anos do fato.A defesa do médico fez perguntas para tentar deixar claro que, sob o efeito do anestésico aplicado para a realização do procedimento, não haveria como terem percebido eventual abuso por parte dele. "Você sentiu dor durante a cirurgia?", perguntou uma das advogadas do médico, Cristiane Battaglia, a uma delas. O objetivo era que a resposta "não" - que, de fato, foi dada - comprovasse que ela não poderia ter notado nada. Segundo o defensor de Farah, Roberto Podval, todas as mulheres que entraram com ações cíveis e criminais contra Farah, não obtiveram sucesso na Justiça.

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