Julgamento de acusado de matar rapper Sabotage recomeça hoje

Assassinato ocorreu em 24 de janeiro de 2003, no bairro da Saúde, zona sul de SP; Sirlei Menezes da Silva está preso desde 2004 e nega autoria do crime

Eduardo Roberto e Ricardo Valota, do estadão.com.br

13 de julho de 2010 | 07h29

 

 

SÃO PAULO - O 1º Tribunal do Júri do Forum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, deu início nesta segunda-feira, 13, ao julgamento de Sirlei Menezes da Silva, apontado pela polícia como o assassino do cantor e rapper Mauro Mateus dos Santos, conhecido como Sabotage. Em seu interrogatório, que durou 1h25, o réu negou a autoria do crime. A sessão, aberta às 15h25, foi encerrada no final da noite de ontem pela juíza Fabíola Oliveira Silva. O julgamento está previsto para ser retomado às 9h30 de hoje.

 

Na fase de instrução do julgamento foram ouvidas quatro testemunhas, sendo duas do juízo, uma de acusação (sigilosa, ouvida em plenário apenas na presença das partes) e uma testemunha de defesa. A segunda testemunha de acusação não foi ouvida por desistência do Ministério Público Estadual (MPE).

 

A promotoria aponta Sirlei como autor do crime, motivado por uma vingança. De acordo com investigação do Departamento de Homícidios e Proteção à Pessoa (DHPP), Sabotage e Sirlei estariam envolvidos em uma rede de tráfico de drogas na Favela da Paz, na zona sul de São Paulo, local onde moraram durante algum tempo. O músico e outro traficante dessa quadrilha, Durval Xavier dos Santos, o "Binho", teriam assassinado um comparsa de Sirlei, Nivaldo Pereira da Silva, o "Caçapa".

 

Segundo laudo anexado ao processo, na cena do crime teriam sido encontrados dois cartuchos vazios de munição .38, que combinariam com as balas retiradas do corpo de Sabotage na autópsia. Porém, na confissão feita pelo réu em 2004 no DHPP, Sirlei afirma que usou uma pistola Taurus 380 para atingir a vítima. Essa arma não seria compatível com os projetéis encontrados pela polícia.

 

Sirlei também alega que não teria como estar na cena do crime, na manhã de 24 de janeiro de 2003 na Avenida Abraão de Moraes, já que estaria no Instituto Brasileiro do Controle do Câncer (IBCC), no Brás, acompanhando sua mãe, que estava sendo tratada de um câncer em estágio avançado. O réu alega que só ficou sabendo da morte de Sabotage à tarde, ao conversar com um segurança do hospital.

 

Pouco antes do anúncio da interrupção do júri, o defensor público Marcelo Carneiro Novaes solicitou à juíza que fossem levados ao tribunal dois objetos apreendidos na casa de Sirlei à época da sua prisão em 2004: uma arma calibre .38, registrada no nome do réu, e um caderno com supostas anotações relacionadas à sua atividade como traficante. Sirlei afirma que o que estaria anotado na agenda seriam a pontuação de uma partida de tranca (jogo de baralho).

 

PARA LEMBRAR

O assassinato ocorreu em 24 de janeiro de 2003, no bairro da Saúde, zona sul da capital paulista. Silva, de 29 anos, teria sido o autor dos quatro tiros que mataram Sabotage, um ex-interno da Febem (atual Fundação Casa). O rapper já havia sido duas vezes indiciado, uma por porte de arma e outra por tráfico de drogas.

 

Sabotage começou sua carreira com um disco solo e fez parcerias com importantes nomes do hip-hop nacional como RZO, SP Funk, Rappin'' Hood, entre outros. Fez participações no cinema, nos filmes "O Invasor", de Beto Brant, e "Carandiru", de Hector Babenco.

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