Juíza ignorou laudos ao soltar acusado de matar irmãos

Ademir Rosário confessou ter matado irmãos na Cantareira e é suspeito de abusar de 19 mortes

Rodrigo Pereira,

28 de setembro de 2007 | 21h37

A juíza substituta da 1ª Vara de Execuções Criminais da Capital, Regiane dos Santos, contrariou dois laudos médicos e liberou saídas de fim de semana para o presidiário Ademir Oliveira do Rosário, que confessou ter matado dois irmãos na Serra da Cantareira, há uma semana, e é suspeito de ter abusado de pelo menos outros 19 garotos. A medida pode fazer o Estado reavaliar o sistema de desinternação progressiva. Regiane ignorou uma recomendação dos peritos Charles Louis Kiraly e Ricardo Bittencourt Nepomuceno de manter Rosário "institucionalizado mais tempo, por causa do seu perfil" no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico de Franco da Rocha. O parecer foi emitido no dia 18 de novembro de 2005. Nele, os peritos afirmam que, na internação em Franco da Rocha, Rosário "poderia ser observado de acordo com outros parâmetros e quiçá poderia ser encaminhado dentro dos critérios da equipe terapêutica daquela instituição para a Colônia de Desinternação Progressiva". Nesse mesmo laudo, os peritos anotam que a "periculosidade ainda está presente" no acusado e ele também apresenta retardo mental leve. Mesmo com as recomendações dos médicos, a juíza decidiu que Rosário fosse transferido do Casa de Custódia de Taubaté diretamente para a Colônia de Desinternação de Franco da Rocha. Foi isso que permitiu que o interno voltasse às ruas para visitar a família e cometesse novos crimes. Um levantamento da Defensoria Pública do Estado mostra que, em 23 de julho, 447 pessoas aguardavam em liberdade por uma vaga nas casas de custódia e tratamento psiquiátrico de São Paulo. Outras 131 estavam presas. Os criminosos soltos receberam autorização da Justiça para aguardar a internação em liberdade. Nesta sexta-feira, o juiz-corregedor Cláudio do Prado Amaral, responsável por fiscalizar o sistema carcerário, saiu em defesa de Regiane. Após analisar o processo, comentou que "provavelmente teria tomado a mesma decisão". "O problema está aparentemente na execução do programa. Ou seja, no acompanhamento dos internos feito pelos técnicos do hospital de custódia de Franco da Rocha." O promotor de Justiça, Antonio Carlos Gasparini, que assumiu o caso nesta sexta-feira, disse que "tomará providências" para que se efetive a prisão de Rosário. Hoje, ele está detido preventivamente. "Temo que uma decisão como essa (a de liberar o criminoso) se repita e ele volte às ruas." Procurada até 20h30, Regiane não foi encontrada nesta sexta-feira. Taubaté Os psiquiatras Kiraly e Nepomuceno foram procurados nesta Sexta-feira pelo Estado, em Taubaté, mas não foram encontrados. Na Clínica Saint Germain, onde Nepomuceno trabalha, Mauro Valegas, que se identificou como seu secretário, afirmou que, estava orientado a dizer apenas que "o laudo assinado pelos médicos recomendava a prisão em regime fechado".Colaboraram Alexandra Penhalver, Felipe Grandin, Josmar Jozino e João Carlos de Faria

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