Juíza é executada com 21 tiros no Rio

RIO

Alfredo Junqueira, Bruno Boghossian, Clarissa Thomé, Fábio Grellet, Felipe Werneck, Pedro Dantas e Tiago Rogero, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2011 | 00h00

A juíza Patrícia Lourival Acioli foi assassinada no fim da noite de anteontem, quando chegava em casa, no bairro de Tibau, em Piratininga, região oceânica de Niterói. Titular da 4.ª Vara Criminal de São Gonçalo, também no Rio, a magistrada foi atingida por 21 tiros disparados por motoqueiros que cercaram seu carro.

Trata-se do primeiro caso de execução de um magistrado no Estado, segundo o Tribunal de Justiça do Rio. O caso expôs a insegurança de juízes que lidam com o crime organizado - uma lista da Corregedoria Nacional de Justiça relaciona 69 magistrados sob ameaça de morte no País.

Patrícia era conhecida por atuar de forma rigorosa contra grupos de extermínio e milícias. Nos últimos anos, condenou dezenas de policiais envolvidos com milícias, grupos de extermínio e máfias de vans, combustível e caça-níquel, além de traficantes e bicheiros. Anteontem, havia decretado a prisão preventiva de PMs acusados de forjar um auto de resistência.

Seu nome era um dos 12 de uma lista encontrada com Wanderson Silva Tavares, o Gordinho, preso em janeiro em Guarapari (ES), acusado de chefiar um grupo de extermínio. Apesar de ser alvo de ameaças de morte, ela andava sem proteção policial ou veículo blindado.

A execução causou reação imediata no País. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, solicitou que a Polícia Federal auxilie nas investigações. No Rio, o presidente do TJ, Manoel Alberto Rebêlo dos Santos, escalou uma força-tarefa para concluir os processos de Patrícia. Já o secretário de Segurança, José Maria Beltrame, considerou o crime "bárbaro" e destacou 120 homens da Divisão de Homicídios para atuar no caso. O assassinato ocorre em um momento crítico para a política de segurança do Rio, que voltou a conviver com crimes violentos ou de grande repercussão - como o sequestro de um ônibus no centro, na terça-feira.

O crime. Patrícia retornava do trabalho quando foi assassinada, às 23h45. De acordo com vizinhos, quatro homens em duas motos participaram da execução. Eles contavam com a cobertura de um carro. A maioria dos disparos foi na janela e no para-brisa do lado do motorista. Quatro tiros acertaram a porta.

Os criminosos, segundo os policiais, conheciam a rotina da vítima. Na hora do crime, os três filhos de Patrícia, que têm entre 12 e 20 anos, estavam em casa. Após os disparos, o mais velho ainda quebrou um dos vidros do carro para tentar socorrer a mãe.

O diretor da DH, Felipe Ettore, classificou a investigação como "complexa". Pelo menos dez pessoas já foram ouvidas, entre vizinhos e familiares. O vigia da guarita do único acesso à rua onde a magistrada morava não foi encontrado.

O corpo de Patrícia foi enterrado ontem, no Cemitério de Maruí, em Niterói. Cerca de 300 pessoas acompanharam o sepultamento.

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