Juíza da infância questiona critério de fila de adoção

Para a juíza titular da Vara da Infância, da Juventude e do Idoso do Rio, Ivone Caetano, a exigência de se seguir uma fila para adoção acaba favorecendo casos de devolução e até de violência contra as crianças adotadas. A necessidade de seguir a fila é uma exigência da Lei 12.010, promulgada no ano passado. ''Você tem de indicar obedecendo a uma ordem cronológica do cadastro. É como olhar para a prateleira e escolher a mercadoria. Cria o direito de achar que a criança tem de ser eternamente agradecida. É um boneco que não pode fazer nada fora da linha.''

, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2010 | 00h00

Segundo ela, antes do caso da procuradora, outra mãe teve a guarda destituída porque passava fezes no rosto da filha adotada. ''Era para ela aprender a não sujar as calças", disse a juíza. "Adoção é química, é amor."

Mesmo entendimento tem a defensora pública Simone Moreira de Souza, Coordenadora de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (CDEDICA), do Rio.''A nova lei criou uma inversão. Dá prioridade ao adulto."

Já o juiz auxiliar do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Nicolau Lupinhaes Neto, declarou que a exigência de seguir a ordem cronológica tornou o processo de adoção muito mais transparente. Responsável pela atual lei de adoção, a Secretaria Nacional de Direitos Humanos não comentou o caso. / G. M.

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