Juiz solta suspeita de roubos de luxo e golpes

Kelly foi presa no Itaim no ano passado e levada para a Penitenciária Feminina de Taubaté

30 de abril de 2008 | 06h02

Após permanecer presa durante oito meses, Kelly Samara Carvalho dos Santos, 19 anos, foi absolvida e está de volta às ruas. A jovem causou polêmica no ano passado, ao ser acusada pela polícia de aplicar golpes em locais freqüentados pela alta classe, seduzir homens para roubá-los e hospedar-se em hotéis de luxo sem pagar as diárias. Mas, no último dia 2, o juiz Luiz Fernando Migliori Prestes, da 22ª Vara Criminal de São Paulo, considerou que não havia prova contra a jovem e, por isso, a absolveu da acusação de estelionato. Em sua decisão, Prestes afirma que nos autos não havia um único depoimento de vítima que teria sido enganada ou seduzida pela jovem. Kelly ainda responde a processos por furto e falsidade ideológica, mas não há pedidos de prisão para esses casos. A jovem cumpria pena na Penitenciária Feminina de Taubaté, no Interior, após ter passado pela Penitenciária Femina Sant' Anna, na Zona Norte. Na terça-feira, 29, por telefone, o advogado Gilson Roberto Ancel disse que Kelly está morando com um amigo, em um apartamento na Bela Vista, Centro. 'Ela pretende comprar ou alugar um imóvel nos Jardins, para ter o canto dela.' Ele afirmou ainda ter arrumado um emprego para a cliente, na administração de uma escola particular de classe média. O advogado revelou que a jovem já entrou em contato com a família e deve visitá-la no próximo mês. 'Em junho, também deve retomar os estudos', disse. Ancel também contou que a moça sofreu 'represália' das outras detentas na prisão. 'É uma menina bonita com outro nível social, o que incomoda.' Segundo ele, Kelly levou uma tesourada de uma presa na altura das costas. Criada por família humilde em Amambai, no Mato Grosso do Sul, Kelly cursou até a 5ª série do ensino fundamental. No final do ano passado, Kelly enviou uma carta ao JT onde contou parte de sua infância e também alegou ter sido vítima de um ex-namorado, que morava com ela na região dos Jardins. Em um dos trechos da carta, Kelly narra ter sido criada por empregadas, babás e que a mãe se distanciou cedo dela, o mesmo teria acontecido com o pai dela. Em Mato Grosso do Sul, Kelly já tinha sido detida mais de uma vez pela polícia e tem também passagens pelo Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente. Quando foi presa, no Itaim, na Zona Sul, Kelly disse que 'queria chamar atenção da família', mas tinha 'acabado com sua vida'.

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