Juiz prorroga por 30 dias prisão de donos da boate e de músicos

Justiça alega que, segundo testemunhas, comportamento dos quatro acusados resultou em homicídio qualificado

LUCAS AZEVEDO, ESPECIAL PARA O ESTADO, SANTA MARIA, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2013 | 02h07

Na madrugada de ontem, o juiz plantonista de Santa Maria (RS),Regis Adil Bertolini, de Santa Maria, concedeu a prorrogação da prisão temporária por 30 dias dos dois sócios-proprietários da boate e dos dois músicos da banda. A prorrogação foi concedida com a apresentação de novas declarações de testemunhas, que indicaram que o comportamento dos quatro envolvidos pode ter dado causa o homicídio qualificado por asfixia.

Com relação ao sócio Mauro Hoffmann, o juiz destacou afirmações de que ele sabia e acompanhava tudo o que se passava no estabelecimento.

Para a Polícia Civil de Santa Maria, os donos da boate Kiss e os dois membros da banda que tocou na madrugada do incêndio, assumiram o risco de matar. A informação foi dada ontem pelo delegado Sandro Meinerz, um dos responsáveis pela investigação. "Todas as evidências e provas testemunhais apontam de forma inequívoca de que eles agiram de muitas maneiras, assumindo o risco da produção de um resultado."

Segundo o delegado, mais de 70 testemunhas já foram ouvidas. Pelos depoimentos e pelas provas colhidas no local do incêndio, os proprietários da casa falharam o quesito segurança. "Sobre a questão do dolo eventual, podemos imputar claramente aos proprietários pela falta de segurança, que ficou evidente." De acordo com Meinerz, apenas três extintores de incêndio foram encontrados dentro da boate Kiss.

Capacidade. Além disso, conforme documentação entregue ao Corpo de Bombeiros anteriormente, a boate tinha capacidade para cerca de 640 pessoas e, segundo relatos, havia muito mais gente. Sobre a responsabilização dos dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, está provado, segundo Meinerz, que o vocalista Marcelo de Jesus dos Santos e o técnico de palco Luciano Augusto Bonilha Leão "manusearam indevidamente material que não poderia ter sido utilizado" no local.

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