Juiz proíbe livro que diz que Lampião era gay

Obra foi escrita por outro magistrado, que promete recorrer e jogar exemplares no rio

ANTÔNIO CARLOS GARCIA , ESPECIAL PARA O ESTADO , ARACAJU, O Estado de S.Paulo

13 Abril 2012 | 03h06

O juiz da 7.ª Vara Cível de Aracaju, Aldo Albuquerque, manteve a decisão de não permitir que seja lançado o polêmico livro Lampião Mata Sete, que sustenta que o chamado rei do cangaço, Virgulino Ferreira da Silva, era gay. No dia 25 de novembro, o magistrado expediu liminar suspendendo o lançamento, que ocorreria em uma livraria de Aracaju, em virtude de uma ação movida por Expedita Ferreira, filha do cangaceiro. A decisão final saiu na terça-feira.

O autor do livro, o juiz aposentado Pedro de Morais, disse que vai recorrer da decisão no Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ-SE) e tem 15 dias para isso. Caso não tenha sucesso e o livro continue censurado pela Justiça, ele disse que vai jogar os mil exemplares que lhe restam da obra no Rio Sergipe. O juiz Albuquerque, que não leu o livro, disse que se baseou na Constituição Federal para continuar impedindo o lançamento da edição.

"A Constituição protege a inviolabilidade da individualidade das pessoas", explicou ele, frisando que escreveu 25 laudas para defender o não lançamento do livro. Para o magistrado, se o livro versasse apenas sobre os crimes cometidos por Lampião, seria um fato público. Mas, quando se trata da sexualidade do cangaceiro, o tema não tem o mesmo interesse.

"O Aldo é um preconceituoso", disparou o autor do livro. Diplomático, Albuquerque não quis rebater. Disse apenas que "doutor Pedro é um homem muito inteligente, um grande juiz" e explicou que um magistrado tem de agir sem se preocupar com críticas, preservando o que diz a Constituição.

Em 6 de novembro, Pedro de Morais participou da 2.ª Bienal do Livro, em Salvador, e vendeu mil exemplares. Sobraram outros mil para o lançamento em Aracaju, que não ocorreu. Dias depois, o livro voltou a fazer sucesso em uma exposição literária no município de Campo Formoso, a 400 quilômetros de Salvador. Dessa vez, os exemplares foram levados pelo lampionólogo Oleone Coelho Fontes, que assina a introdução do livro de Morais. Indignado, ele disse na época que "seria uma felicidade para o Nordeste se Lampião fosse homossexual".

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