Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Juiz ouve dez réus na retomada do julgamento do massacre do Carandiru

Nesta terça-feira, 18, deverá começar a fase de debates entre defesa e acusação

Luciano Bottini Filho, O Estado de S. Paulo

17 Março 2014 | 20h43

SÃO PAULO - Os dez réus ouvidos nesta segunda-feira, 17, no primeiro dia da quarta etapa do julgamento do Carandiru, negaram que estavam no quarto pavimento, local onde parte dos 111 detentos teria sido morta no massacre de 2 de outubro de 1992. O primeiro dia do julgamento terminou por volta as 20 horas, no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo.

Além dos dez réus, foram ouvidas uma testemunha de acusação e duas de defesa. Os réus responderam somente às perguntas do juiz e disseram que só foram até o terceiro andar, ou quarto pavimento, diferentemente dos depoimentos dos acusados apresentados pela promotoria durante o inquérito na Polícia Civil, na Polícia Militar e no processo na Justiça Militar. O interrogatório durou cerca de três horas com intervalos.

Acusação. A acusação dos dez PMs julgados nesta segunda-feira dispensou uma testemunha e terminou de tomar o depoimento do perito Osvaldo Negrini Neto. Por volta das 16h30, encerravam-se também as oitivas das testemunhas de defesa.

O perito aposentado manteve a versão dada nos outros dois julgamentos na qual a PM dificultou a entrada da perícia no dia do massacre. A testemunha afirmou que havia sinais de que os detentos foram alvejados por rajadas de metralhadora, que foram posicionadas para dentro das celas. "Isso se deve à grande quantidade de disparos e à distância constante entre um tiro e outro", disse Negrini.

Segundo a testemunha, as marcas de tiros dentro das celas mostram que houve disparos contra os presos. "Podemos supor com uma segurança muito grande que esses buracos que aparecem dentro das celas eram dos tiros que acertaram as vítimas", disse.

Defesa. Como testemunhas de defesa, foram ouvidos o juiz corregedor dos presídios da capital na época do crime, Fernando Torres, e o agente penitenciário, Maldinei de Jesus. O primeiro afirmou que uma sindicância constatou que a entrada da PM era necessária, mas "houve excessos".

A outra testemunha disse que nunca foram encontradas armas de fogo dentro do pavilhão nos dois anos que trabalhou lá e que os presos mais perigosos ficavam em outras áreas do Carandiru, que não no local onde ocorreram as mortes.

Nesta terça-feira, 18, deverá começar a fase de debates entre defesa e acusação. Depois, o conselho de sentença se reunirá para que os jurados deem o veredicto.

Entenda. O Massacre do Carandiru aconteceu no dia 2 de outubro de 1992, quando 111 detentos foram mortos e 87 ficaram feridos durante invasão policial para reprimir uma rebelião no Pavilhão 9, na zona norte de São Paulo.

Por envolver grande número de réus e de vítimas, o júri foi desmembrado em quatro etapas, de acordo com o que aconteceu em cada um dos pavimentos do pavilhão.

Na primeira etapa do julgamento, em abril do ano passado, 23 policiais foram condenados a 156 anos de prisão pela morte de 13 detentos. Em agosto, na segunda etapa, 25 PMs foram condenados a 624 anos de reclusão pela morte de 52 presos.

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