Juiz nega liberdade a mulher que matou e esquartejou marido

Para magistrado, não há motivo para revogar prisão de Elize; polícia tem até o dia 20 para terminar inquérito

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2012 | 03h08

O juiz Théo Assuar Gragnano, da Vara Criminal de Cotia, negou ontem o pedido de revogação da prisão temporária de Elize Araújo Kitano Matsunaga, de 30 anos. Elize confessou ter matado e esquartejado o marido, o diretor executivo da Yoki, Marcos Kitano Matsunaga, de 42 anos, no dia 19 de maio, no apartamento onde o casal vivia, na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo. Ela está presa desde o dia 5 na Cadeia Pública de Itapevi, na Região Metropolitana.

Segundo o magistrado, não há razão para que Elize fique em liberdade, como pediu o advogado Luciano Santoro. Em sua decisão, o juiz afirmou que a alegação de que não há outras diligências da polícia a serem feitas nos próximos dias não foi confirmada. De acordo com Gragnano, o inquérito ainda não foi relatado pelo delegado responsável pelo caso, Mauro Dias, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

O juiz também afirmou que não há motivos para imaginar que a polícia esteja atrasando a entrega do relatório. "Não se pode, à míngua de qualquer elemento probatório, presumir que a autoridade policial esteja protelando desnecessariamente a conclusão das investigações."

O advogado de Elize já havia sinalizado que entraria com um habeas corpus caso a Justiça concedesse a prisão preventiva e também relatou isso ao juiz. Gragnano disse que não teria como fazer qualquer consideração a respeito, porque a prisão preventiva ainda não foi pedida pela polícia.

Segundo o advogado de Elize, sua cliente tem todos os requisitos para responder ao processo em liberdade. Santoro afirmou ontem que, mesmo tendo a oportunidade, ela não fugiu depois de ter matado o marido. Ela também colaborou com a produção de provas. O advogado afirmou ainda que não há "reiteração de conduta" em crimes passionais (ela não cometeria outro assassinato). O defensor de Elize explicou que o clamor popular não é aceito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como motivo para manter alguém preso provisoriamente.

Inquérito. Segundo o diretor do DHPP, Jorge Carrasco, ainda são aguardados os laudos periciais para que o inquérito policial seja concluído e o relatório, apresentado à Justiça. "Estamos aguardando", afirmou ontem. A polícia tem até o dia 20 para apresentar o relatório final.

Bacharel em Direito e enfermeira, Elize conheceu Matsunaga quando trabalhava como garota de programa. Segundo a polícia, ela matou o marido com um tiro na cabeça depois de uma discussão conjugal. Depois, esquartejou o corpo e jogou os pedaços em Cotia. Ela contratou um detetive e descobriu que o executivo a traía com uma garota de programa. O relacionamento estava em crise desde o início do ano. Eles estavam casados havia dois anos e têm uma filha de 1 ano, que está no apartamento do casal com uma tia de Elize.

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