Juiz manda PF libertar piloto preso em ação antidrogas

Segundo o piloto, traficante colombiano "era um empresário como muitos outros para os quais voei"

JOSÉ MARIA TOMAZELA, Agencia Estado

28 de agosto de 2007 | 19h06

Depois de sete dias preso na sede da Polícia Federal na capital paulista, o piloto Milton Helfenstens foi libertado nesta terça-feira, 28, por ordem do juiz Ali Mazloum, da 1ª Federal Criminal de São Paulo. Helfenstens foi detido em operação da PF de combate ao narcotráfico porque tinha pilotado aviões do traficante Gustavo Bautista, preso recentemente no Paraguai com grande quantidade de droga. A ordem de soltura foi dada na noite de segunda-feira, mas só foi cumprida nesta terça porque o delegado que preside a investigação estava viajando. Ao chegar em casa, em São Roque, no interior paulista, ele deu entrevista e confirmou ter pilotado aviões da empresa Mariad, de Bautista, mas disse desconhecer qualquer ligação com o crime. "Voei quatro vezes, indo inclusive para o Uruguai, Paraguai e Argentina, mas sempre foram vôos oficiais, registrados e controlados pelas autoridades." Nesses vôos, não levou mercadorias, só familiares do empresário e técnicos da empresa."Nunca suspeitei de nada. Eram vôos legais, com Polícia Federal, aduana e imigração." Ele trabalhava como instrutor de vôo e piloto free-lancer no Aeroclube de São Paulo. Os clientes contatavam o aeroclube, que indicava o piloto. Helfenstens contou que foi escolhido pela Mariad porque falava inglês. O primeiro vôo foi em 2003. "Para mim, ele era um empresário como muitos outros para os quais voei." HonraO piloto reclamou da truculência da PF durante a prisão. "Chegaram em casa às 6 horas gritando meu nome. Entraram chutando móveis. Fui algemado e humilhado. O meu sentimento é de uma mulher que foi estuprada. É um golpe na honra, irrecuperável." Na sede da PF, foi bem tratado. "Eu ficava tentando descobrir porque estava lá, o que tinha feito de errado." Helfenstens foi sargento da Aeronáutica e passou para a reserva depois de uma doença grave - um câncer de pele complicado. Agora, pretende voltar a pilotar. "Vivo neste País e dependo disso." Ele se considera injustiçado, mas não sabe se processará a União. "Quanto vale a honra de uma pessoa?", perguntou. "Vou aguardar a decisão dos advogados. Eles é que vão dizer se cabe algum reparo." Segundo os advogados José Luiz de Oliveira e João Ricardo Pereira, o piloto não chegou a ser indiciado no inquérito, tendo sido ouvido em declarações. "Mesmo assim, vamos acompanhar o inquérito para evitar novas injustiças", disse Oliveira.

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