Juiz do habeas diz que tem que 'sentir o que a sociedade sente'

Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, sustenta que julgamento não pode ser emocional, mas deve ser sensorial

Carina Urbanin, Agência Estado

16 de maio de 2008 | 21h41

"O Juiz tem que sentir o que a sociedade sente". A afirmação é do ministro do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), Napoleão Nunes Maia Filho, relator do habeas-corpus impetrado em favor do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. O casal foi indiciado pela morte da menina Isabella Nardoni, na capital paulista, no dia 29 de março. Em entrevista divulgada no site do STJ nesta sexta-feira, 16, Maia Filho, sustenta que, para fazer um julgamento, é obrigatório isolar o emocional, "mas não o sensorial".   VEJA TAMBÉM Decisão do STJ sobre habeas dos Nardoni pode sair na 2ª Caso Isabella fez interesse por júri crescer 400% Licença de desembargador trava julgamento de habeas corpus Advogado diz que pai de Isabella está 'abatido' no CDP  Isolada e sem poder sair da cela, madrasta de Isabella 'só chora' Fotos do apartamento onde ocorreu o crime  Cronologia e perguntas sem resposta do caso  Tudo o que foi publicado sobre o caso Isabella     De acordo com o ministro, seria "desfaçatez" negar que há influência do clamor público em decisões judiciais de grande repercussão. "Crimes brutais não deixam a gente abalado? Claro que sim", afirmou.   Maia Filho disse ainda não ter visto exageros por parte da imprensa na divulgação dos crimes. "Vejo exagero é nos fatos, que são assombrosos", sustentou. "Existiria maneira de divulgar esses casos sem ser da maneira como se fez?" E ressaltou: "O dantesco está no fato".   Na avaliação do ministro, o papel da imprensa é extremamente necessária, além de exigir mudanças tem efeito educativo e de alerta. "As coisas que nos são lembradas diariamente é que conservam a força de alterar o curso da nossa história", disse.   O caso Isabella não é o único de repercussão nacional que caiu nas mãos do ministro. Cabe a ele também o julgamento dos pedidos de liberdade dos assassinos do menino João Hélio Fernandes, de 6 anos, morto em 2007 depois de ser arrastado por assaltantes, preso ao carro, no Rio.

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