Juiz diz que situação nos presídios é de risco para segurança pública

Para Nélson Augusto Bernardes, governo do Estado precisa agir rapidamente para solucionar o problema gerado pela greve dos agentes penitenciários

Ricardo Brandt, O Estado de S. Paulo

20 Março 2014 | 17h47

CAMPINAS - O juiz da 3ª Vara Criminal de Campinas, Nélson Augusto Bernardes, afirmou nesta quinta-feira, 20, que a situação nos presídios é de risco para a segurança pública e que o governo do Estado precisa agir rapidamente para solucionar o problema gerado pela greve dos agentes penitenciários, que já dura 11 dias.

"Existe um risco de pessoas que foram detidas não serem julgadas a tempo e serem colocadas na rua, mesmo sendo casos em que ele deveria estar preso. Existe também um risco de rebeliões", afirmou o magistrado, que desde o início do movimento diz ter deixado de realizar pelo menos 25 audiências de detentos.

"O Executivo tem que mostrar boa vontade para resolver a questão rapidamente. Não pode se valer do argumento que tem uma decisão judicial que precisa ser cumprida", afirmou o juiz. Segundo ele, se os pedidos de aumento são inflacionários, eles são direitos da categoria.

Determinação. O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira, disse na manhã desta quinta-feira, 20, que, enquanto durar a greve dos agentes penitenciários, a polícia vai realizar a transferência de presos das carceragens das delegacias para presídios administrados pela Secretaria de Administração Penitenciária (SAP). Segundo ele, as oito delegacias de trânsito da capital têm 276 vagas e chegaram a abrigar 756 pessoas.

A Polícia Militar usou a força nesta quinta-feira, 20, para colocar trinta presos, transferidos da Cadeia Pública de São Roque, no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Aparecidinha, em Sorocaba. Assim que os policiais se posicionaram, os agentes penitenciários em greve recuaram e permitiram a passagem dos presos. Foi preciso estourar o cadeado do portão para dar acesso ao caminhão-baú que levava os detentos. O impasse, que teve início com a chegada do comboio, às 7 horas, só terminou às 16 horas, com a entrada forçada pela PM.

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