Juiz de Bauru recebe 1 pedido de internação compulsória por dia

Na região de Bauru, o crack já é apontado como a droga mais usada - 39% dos casos, seguido pelo álcool, com 37%. As estimativas indicam que há 2 mil usuários de crack no município, que se reúnem sob dois viadutos da cidade. E a cada dia a 2.ª Vara da Família recebe pelo menos um pedido de internação compulsória. "Entrei ontem aqui em substituição ao juiz titular e já recebi um pedido de liminar para internação", surpreende-se o juiz substituto da 2ª Vara, Alexandre Vicioli.

CHICO SIQUEIRA , ESPECIAL PARA O ESTADO , ARAÇATUBA, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2011 | 03h01

Ele, que é juiz titular na área criminal, diz que a maioria dos processos que tramitam ali já tem o crack como protagonista. "Ele é objeto do crime ou desencadeou o crime, em casos de roubos e furtos", diz.

Uma das famílias que enfrenta o problema é a da dona de casa M. C. S., que pediu a internação do filho R., de 23 anos, usuário de crack desde os 15 anos. "Não aguento mais essa situação."

Dois hospitais, em Jaú e Botucatu, prestam o atendimento aos usuários de toda a região. Mas o vice-presidente da subsecção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Bauru, Alessandro Cunha Carvalho, ressalta que o problema é a falta de estrutura para o acolhimento das pessoas que seguem nas ruas. "Faltam abrigos para todos os usuários, não só de crack, mas de todas as drogas. São muitos para poucos abrigos."

Ação na rua. Preocupada com a situação, a prefeitura de Bauru decidiu até colocar equipes de rua, em um total de 50 pessoas, para recolher os usuários sob dois viadutos - na Avenida Juscelino Kubitschek, já chamada de "cracolândia de Bauru", e na Avenida Nuno de Assis, para onde os viciados se mudaram depois que a Prefeitura passou a fiscalizar a área anterior, ao lado da Polícia Militar.

Na madrugada do dia 6, por exemplo, 35 usuários que estavam sob o viaduto da Nuno de Assis, foram recolhidos - 25 deles eram reincidentes. "Eles tinham idade entre 18 e 35 anos", diz a secretária de Bem-Estar, Darlene Tendolo. "A gente aborda, identifica e depois fazemos um trabalho de fortalecimento familiar, com acompanhamento dos familiares", diz. A próxima ação deverá ser realizada no Terminal Rodoviário de Bauru, dentro de 15 dias.

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