Juiz bloqueia bens de policial suspeito de desviar drogas

Investigador que ganha R$ 3,5 mil de salário e trabalhou anos no Denarc é acusado de juntar patrimônio de mais de R$ 3 milhões

BRUNO PAES MANSO , MARCELO GODOY, O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2011 | 09h29

A Justiça decretou o sequestro dos bens que supostamente pertencem ao investigador Ismar José da Cruz. A decisão foi tomada pelo Departamento de Inquéritos Policiais do Tribunal de Justiça de São Paulo a pedido dos promotores de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Repressão à Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro (Gedec).

Com salário de R$ 3,5 mil, Cruz é suspeito de ter amealhado um patrimônio milionário lavando dinheiro de supostas propinas e da venda de entorpecentes desviados no período em que trabalhou no Departamento de Estadual de Narcóticos (Denarc) da Polícia Civil.

Ismar, como é conhecido, foi durante anos um dos mais atuantes policiais do Denarc. Recentemente, foi transferido para o Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap). Em 2008, chegou a ser preso sob suspeita de substituir parte dos 327 quilos de cocaína apreendidos cinco anos antes por outras substâncias, prática conhecida na polícia como "fazer o vira". A droga desviada teria sido revendida. Ele e demais acusados acabaram inocentados por falta de provas.

Em 2009, Ismar voltou a se envolver em ocorrências policiais suspeitas. Em novembro daquele ano, ele comandou a investigação que resultaria na maior apreensão de cocaína do ano feita pelo Denarc. Foram 269 quilos, divididos em 273 tijolos. A ação levou à prisão de três colombianos e dois brasileiros em Itu, no interior.

Em abril deste ano, o Instituto de Criminalística (IC) constatou que os sacos de pó branco que haviam sido guardados nos cofres do Denarc depois da apreensão eram uma maçaroca com só 3,7% de cocaína. Os cinco supostos traficantes acabaram sendo colocados em liberdade.

Entre os bens sequestrados pela Justiça estão um apartamento na Rua Monte Alegre, em Perdizes, avaliado em R$ 1,7 milhão, outro na Rua Diana, no mesmo bairro, dois lotes no Condomínio Porta do Sol, em Itu, avaliados em R$ 1 milhão, ações em um estacionamento e em um posto de gasolina na Rua da Consolação, no centro, além de um carro Meriva e um Toyota Camry.

O advogado de Ismar, Jonas Marzagão, afirma que nenhum dos bens de alto valor sequestrados pela Justiça são do investigador. Marzagão afirma que seu cliente possui em seu nome apenas imóveis na zona norte que herdou de familiares. "Ele não é dono de nenhum desses imóveis e carros de luxo. Estão em nome de outros proprietários. Essas acusações são devaneios da ex-mulher, que era muito ciumenta e causou toda essa confusão."

O Estado entrou em contato com a ex-mulher do investigador, que pediu para não ter o nome divulgado porque é parte em processo contra o ex-marido que corre em segredo de justiça. "Não tenho nada a ver com isso. Quando o conheci, em 2002, ele já sofria vários processos. Estou separada há mais de um ano e minha vida está bem resolvida."

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