Jovens são presos pichando mascote do Pan com fuzil em escola

Britânico há um mês no Brasil foram detidos na madrugada no Rio

Alexandre Rodrigues,

23 de julho de 2007 | 19h47

Um jovem britânico e dois brasileiros foram detidos pela polícia na madrugada quando pichavam no muro do Colégio Pedro II, no Centro do Rio, a imagem da mascote dos Jogos Pan-Americanos portando um fuzil. Numa repetição do desenho que vem sendo espalhado pela cidade desde a preparação dos jogos, o solzinho Cauê foi reproduzido pelos jovens empunhando a arma, sobre a inscrição: "Pan e chacina". Ben Ronen, de 24 anos, está no Brasil há um mês. Ele, Leandro de Souza da Silva, de 22, e Júlia Poubel Araújo de França, de 21, pichavam o muro por volta de 3h, quando foram surpreendidos por policiais militares. Na delegacia da Central do Brasil (4ºDP), eles foram autuados por crime contra o meio ambiente e apologia ao crime. Como os delitos são de baixo potencial ofensivo, eles foram liberados depois de assinar um termo se comprometendo a comparecer à Justiça. Com eles foram apreendidos um molde do desenho feito com uma folha de Raio X, uma garrafa plástica com tinta preta, rolos e estopas. Ronen tem dupla nacionalidade: é britânico e israelense. Ele é cinegrafista e entusiasta de causas sociais. Também já teve problemas com a polícia em Israel. Segundo um site, ele chegou a ser agredido por policiais em manifestações naquele país. Ele permaneceu na delegacia até a tarde de ontem aguardando um advogado e um representante do consulado do Reino Unido para assinar o termo de compromisso na presença deles, já que usou passaporte britânico para entrar no Brasil, no dia 22 de junho. Ele e os outros dois estudantes decidiram só depor em juízo. Júlia disse, na delegacia, que é aluna de Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Aos jornalistas, ela apenas negou que o protesto seja uma apologia ao uso de armas. A pichação, explicou, teria como objetivo chamar a atenção para os altos custos do Pan, que chamou de farsa, diante das necessidades de populações marginalizadas. O fuzil na mão da mascote seria uma referência a operações policiais em favelas como as do Complexo do Alemão, que, para os jovens, põem em risco a vida de inocentes. Leandro e Ronen não quiseram conversar com a imprensa. Ao ser levado para verificação do visto na Polícia Federal, o rapaz usou um capuz para esconder o rosto. A PF informou que o delito não resulta, a princípio, em limitação à permanência do estrangeiro no Brasil. Segundo o delegado Ricardo Ferreira, os três disseram não pertencer a qualquer organização. Um grupo de amigos dos jovens foi até a delegacia ontem à tarde, mas não quiseram dar entrevistas. Um dos rapazes usava uma camiseta com a imagem da mascote armada. Poucos dias antes da abertura do Pan, os muros do Maracanã, palco da festa, amanheceram com a mesma pichação, provocando a indignação do prefeito Cesar Maia e do governador Sérgio Cabral. O desenho também foi espalhado por pontos de ônibus do Centro. Durante um ato contra o Pan em frente à Prefeitura do Rio no início dos jogos, organizado por movimentos sociais ligados a grupos de sem-terra e sem-teto, foram distribuídos panfletos com o Cauê armado ao lado de um caveirão, o blindado da polícia. Os organizadores negaram estimular pichadores, mas admitiram que os vândalos são simpatizantes da causa.

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