Jovens presos por tráfico vendiam droga em festas de elite

Dez pessoas foram detidas em Minas Gerais; acusados atuavam em boates e raves e usavam veículos de luxo

Rene Moreira / ESPECIAL PARA O ESTADO / ARAGUARI, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2013 | 02h04

Dez jovens foram presos por tráfico e associação para o tráfico em Araguari, no Triângulo mineiro. A filmagem de um deles cheirando lança-perfume e dirigindo na rodovia foi apreendida pela polícia. Em outro vídeo, o mesmo jovem se diverte e bebe sentado como copiloto de um helicóptero. Com o grupo foram apreendidos mais de 2 mil comprimidos de ecstasy, remédios anabolizantes, veículos de luxo, munições de uso restrito e R$ 10 mil.

Todos os envolvidos têm entre 20 e 30 anos. Há filhos de empresário, advogado e fazendeiro. Segundo a polícia, eles andavam de motos e carros de alto valor, usavam roupas de grife e sempre estavam nos melhores camarotes das festas.

A investigação durou meses e agentes se infiltraram em festas de classe alta para fazer o flagrante. Também foram feitas escutas telefônicas. O grupo agia em baladas, boates e festas rave em Araguari e em outras cidades mineiras, como Uberlândia e Uberaba.

As prisões começaram no início do mês, mas apenas agora os vídeos do rapaz no helicóptero e no carro foram divulgados. Policiais civis também fizeram filmagens dos acusados durante as festas, em contato com o público. Nelas, eles parecem estar comercializando ecstasy. "São gestos estranhos, que dão a entender que realmente estariam praticando tráfico", declara o delegado Fernando Storti.

Investigação. Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça também comprometem os acusados. Há diálogos em que eles falam em comprar "bala" - gíria usada no comércio de ecstasy. Segundo a polícia, para não ser descoberta nas festas, a quadrilha usava olheiros que ficavam em pontos estratégicos e enviavam mensagens por celular caso notassem algo suspeito.

A reportagem não conseguiu contato com os acusados. Os advogados deles, incluindo o de Alison de Freitas Neto - que aparece na filmagem no helicóptero -, alegam falhas nas investigações. Dizem que os envolvidos são amigos, não teriam ligações com o tráfico e que, por usarem drogas, teria havido confusão.

Tudo o que sabemos sobre:
Minas Geraistráficofestas de elite

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.