Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Jovens inventores pensam soluções para a metrópole

Feira tecnológica apresenta desde a quase utópica casa 100% sustentável até o varal de roupas com sensor para dias de chuva

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2010 | 00h00

Os jovens "professores pardais" têm os pés no chão. Nada de reinventar a roda, bolar poções malucas, tentar viajar no tempo... Eles se preocupam com pequenas melhorias que podem fazer a diferença no dia a dia das pessoas. Pelo menos é o que mostra a 4.ª Feira Tecnológica do Centro Paula Souza, que termina hoje na Expo Barra Funda, zona oeste paulistana. Ali estão expostos 233 trabalhos, todos feitos por alunos das Escolas Técnicas (Etecs) e Faculdades de Tecnologia (Fatecs) estaduais paulistas. 

 

Entre os 233 trabalhos expostos, alguns se destacam. Por exemplo, um curioso tijolo ecológico, feito com restos de couro. "Com ele, uma casa popular fica 27% mais barata", calcula Jefferson Aparecido Bueno, de 41 anos, um dos três autores do projeto, todos estudantes da Etec Dr. Júlio Cardoso, de Franca. A vocação econômica da cidade, conhecido polo calçadista, serviu como inspiração. "Franca joga fora, todo mês, 1,5 mil toneladas de restos de couro. Vão para os aterros sanitários", comenta Jefferson, explicando a origem da matéria-prima. "Vivemos em um tempo em que uma política sustentável exige novos formatos de construção."

Ônibus. Os alunos da Etec Philadelpho Gouvêa Netto, de São José do Rio Preto, preocuparam-se com outro problema: as portas dos ônibus, que se fecham antes de todos descerem, causando pequenos acidentes. "Com R$ 1 mil por veículo é possível instalar um sistema de sensores que desenvolvemos, que evita que a porta seja fechada quando alguém estiver passando", diz Fernando Luis Vianna, de 20 anos, um dos autores do projeto. Ele e seu colega levaram um ano para consolidar a ideia.

Os irmãos Julio Cesar Yoshimine, de 20 anos, e Pedro Cesar Yoshimine, de 22 - da Etec José Martimiano da Silva, de Ribeirão Preto -, demoraram apenas dez minutos para terem a sacada. Com uma calha metálica acoplada às hélices utilizadas em usinas de energia eólica, a força do vento é melhor aproveitada. "Isso faz o sistema gerar 50% mais de energia do que o comum", garante Julio.

Problemas urbanos. É só o verão chegar que o paulistano já começa a temer pelas enchentes e outros problemas decorrentes da época. Foi sobre essa questão que os alunos da Etec de Presidente Venceslau se debruçaram. As soluções, apesar de óbvias, passam longe da realidade. "Coleta de lixo adequada, mais piscinões e permeabilização do solo", é a receita dada por Taitane Periscila da Silva, de 17 anos.

A consciência ambiental é corroborada pela turma da Etec Conselheiro Antônio Prado, de Campinas. A questão analisada: os cemitérios. "Concluímos que o necrochorume, resíduo decorrente da decomposição dos corpos, poderia ser transformado em gás para a geração de energia", diz Daniela Bueno Gomes de Melo, de 17 anos. "Infelizmente, isso não acontece no Estado de São Paulo. O único exemplo que conhecemos está em Curitiba", completa Fernanda Tudor, também de 17 anos.

Praticidade. E qualquer um sabe o problema que é deixar a roupa no varal, sair de casa e chover. E quem tem jardim em casa e precisa viajar, como fazer para regar as plantas? Com o invento dos alunos da Etec de São Roque, as dificuldades diminuíram. "Levamos três meses para montar a maquete", conta Pedro Henrique Pereira, de 17 anos. O varal é móvel e sai da área coberta para a área aberta graças a um sensor, que mostra se tem sol ou chuva - com chuva, ele é recolhido. No jardim, um mecanismo semelhante aciona a irrigação, em caso de terra muito seca.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.