MARCELO GONCALVES/SIGMAPRESS
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Jovens desaparecidos já haviam sido internados na Fundação Casa

Foram os pais que acharam o carro em que o grupo estava; buscas só tiveram início após o caso se tornar público

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

08 de novembro de 2016 | 03h00

Os jovens que estavam desaparecidos eram menores infratores, que já haviam sido internados na Fundação Casa, de acordo com o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe). Depois que sumiram, vizinhos e familiares passaram a procurá-los por conta própria.

Até esta segunda-feira, 7, embora já houvesse suspeitas de que os rapazes pudessem ter sido mortos, as famílias mantinham a esperança de encontrá-los vivos. “Achavam que eles poderiam estar em algum cativeiro, que pudessem ser localizados”, disse a conselheira do Condepe Cheila Olalla, que acompanha as famílias. 

Moradores de uma das regiões mais violentas da cidade e com um dos piores desempenhos no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), os jovens do Parque São Rafael cresceram juntos e costumavam frequentar os mesmos bailes e festas do extremo leste da capital. Uma irmã de César Augusto Gomes da Silva, de 19 anos, o viu marcando um encontro pelo Facebook com meninas. 

Era para essa festa que iam quando sumiram. Silva também vinha sendo ameaçado de morte pelo irmão de um guarda-civil municipal de Santo André, que suspeitava da ligação do rapaz com o caso.

E não era a primeira vez que os jovens seriam relacionados a crimes. O Condepe afirma que todos estavam envolvidos com práticas de roubo e furto. 

Tanto Silva quanto Jonathan Moreira Ferreira, de 18 anos, estiveram na Fundação Casa no ano passado acusados de roubo. Robson Fernando Donato de Paula, o mais jovem do grupo, de 16 anos, foi baleado quanto tinha 14. Estava em um carro roubado. A família diz, segundo o Condepe, que o veículo estava parado quando foi localizado pela PM e o jovem já estava fora do carro. 

Sumiço. O desaparecimento do grupo se deu no dia 21, uma sexta-feira, e foi notado na manhã seguinte. Foram os pais que acharam o carro em que o grupo saiu do bairro, após dois dias de procura. O boletim de ocorrência que registra o desaparecimento informa que, na noite em que encontraram o veículo, os pais ficaram até as 4 horas na delegacia, esperando para registrar a queixa. 

Foram mandados embora do 49.º Distrito Policial (São Mateus) e fizeram a queixa no dia seguinte, no 55.º (Parque São Rafael). Só após o caso se tornar público foram organizadas buscas pelos corpos - achados por acaso por um trabalhador rural. 

Do grupo, a exceção é Jones Januário, de 30 anos, o motorista na noite do crime. Ele aceitou dar carona aos rapazes. 

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