Werther Santana/AE
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Jovens de classe média agridem 4 na Paulista; polícia investiga homofobia

Cinco jovens de classe média - um de 19 anos, um de 17 e três de 16 - foram detidos ontem de manhã na Avenida Paulista, sob acusação de terem agredido três pessoas com socos, chutes e golpes com lâmpadas fluorescentes. Na delegacia, foram identificados por outro rapaz, que contou ter sido agredido e assaltado pelo grupo. Duas vítimas disseram à polícia que teriam sido confundidos com homossexuais, e isso teria motivado a agressão.

Cristiane Bomfim, Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2010 | 00h00

Para o delegado titular do 5.º DP (Aclimação), José Matallo Neto, os ataques foram motivados por preconceito. "Talvez os agressores não gostem de pessoas afeminadas. As vítimas dizem ter sido chamadas de bicha, maricas. Isso tem de parar. Ninguém pode bater em alguém porque acha que é homossexual e porque não concorda."  

Os cinco agressores vão responder por agressão gravíssima e roubo e ainda poderão, segundo o delegado, ser enquadrados no crime de formação de quadrilha. Os quatro menores - três de 16 anos e um de 17 - serão encaminhados para a Vara da Criança e Adolescente e deveriam passar a noite em uma unidade da Fundação Casa (antiga Febem).

O estudante Jonathan Lauton Domingues, de 19 anos, foi preso em flagrante. De acordo com o delegado, ele ainda pode responder por corrupção de menores e seria levado a um Centro de Detenção Provisória (CDP).

 

 

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Ataques. Segundo depoimento à polícia, os amigos O.D.P., de 19 anos, e R.S.R., de 20, estavam em um ponto de táxi na altura do número 453 da Paulista, por volta das 6h30, quando o grupo atravessou a rua e avançou em direção a eles. O jovem de 20 anos disse ter levado um soco no rosto e chutes e, mesmo "desequilibrado", conseguiu fugir para a entrada da Estação Brigadeiro do Metrô. Chegou a ser perseguido por dois rapazes, que desistiram ao ver o movimento de pessoas no local. A outra vítima apanhou com mais violência e ficou desacordada na calçada. O garoto foi levado ao hospital e liberado no fim da manhã.

Poucos metros à frente, a Polícia Militar, que foi chamada para atender a ocorrência, encontrou um terceiro rapaz - que também levou socos, pontapés e foi golpeado com lâmpadas fluorescentes. L.A.B, de 23 anos, voltava de uma balada quando foi agredido.

Na delegacia, a polícia descobriu que, três horas antes de espancar os três jovens, o grupo assaltou um lavador de carros na altura do número 2.500 da Avenida Brigadeiro Luis Antônio. A vítima chegou na delegacia às 13 horas para registrar a queixa de roubo e reconheceu os agressores. Disse ainda, em depoimento, que os garotos foram em sua direção e começaram a bater sem dar explicações. Foram levados carteira, documentos e R$ 100. Segundo familiares dos jovens acusados, o grupo voltava de uma festa na zona sul.

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