Jovens aliciados por falso treinador de futebol começam a voltar para casa

Dos 33 garotos, com idade entre 11 e 22 anos, 25 são menores de idade; sete já têm passagens de ônibus compradas

Juliana Diógenes,

20 Março 2014 | 12h56

Começam a retornar para Fortaleza (CE) os jovens que foram aliciados por um falso treinador de futebol em São Bernardo do Campo, na Região Metropolitana de São Paulo. Eles teriam sofrido maus tratos e abuso sexual por Daniel Magnum Nunes da Costa, 28, que foi preso na última terça-feira, 18, em Osasco. Dos 33 garotos, com idade entre 11 e 22 anos, 25 são menores de idade. Sete já têm passagens de ônibus compradas para retornar à capital cearense nesta sexta-feira, 21.

A volta para casa foi bancada pela Prefeitura de São Bernardo do Campo, que agora tenta fechar pacote para o retorno dos outros jovens, menores de idade, que estão abrigados na Fundação Criança da cidade. Os meninos dependem apenas da liberação dos recursos do Município. Segundo o conselheiro tutelar que acompanha o caso, Zulmiro de Souza, na próxima segunda-feira, 24, os garotos estarão com as passagens compradas. O conselheiro disse ainda que a maioria não queria ir embora.

Ainda ontem, no dia seguinte à prisão do suspeito, dois jovens - um de 17 e outro de 18 anos - foram resgatados por uma tia e pelo pai. "O pai de um dos meninos já desconfiava do suposto treinador e, como tinha uma tia em São Paulo, viajou na mesma época para dar uma sondada. É intuição de pai e mãe. Quando soube do caso, veio para São Bernardo", explica Zulmiro de Souza.

Daniel Magnum Nunes da Costa é acusado de estelionato, maus tratos, estupro de vulnerável e falsificação de documento público, pois diminuía a idade dos jovens no RG, o que segundo ele tornaria mais fácil garantir o contrato com o clube. Daniel Magnum se dizia treinador de futebol do time Santa Fé Futebol Clube e trouxe os garotos a São Paulo com a promessa de torná-los jogadores do clube.

Maus tratos e abuso sexual. O crime foi descoberto na última terça-feira, 18, depois que dois jovens, de 16 e 21 anos, procuraram ajuda dos vizinhos dizendo estar com fome. Os vizinhos levaram os garotos para a UPA Riacho Grande, que se queixavam de fraqueza e desmaios constantes, segundo a Prefeitura de São Bernardo. Como houve denúncia de maus tratos, a coordenadora da UPA acionou o Conselho Tutelar e a Polícia Militar.

Policiais chegaram à UPA e um dos jovens relatou, segundo o boletim de ocorrência, que estavam em uma casa sem comida e camas, além de terem sofrido abuso sexual. Quando a PM chegou à casa, os garotos contaram que haviam passado o dia anterior inteiro sem comer nada. Os meninos confirmaram ainda que tiveram os órgãos genitais apalpados e mordidos.

O caso está registrado no 3º Distrito Policial de São Bernardo. De acordo com o delegado assistente, André Santos Legnaioli, cada uma das vítimas desembolsou entre R$ 2 mil e R$ 2,5 mil para pagar uma espécie de matrícula e R$ 350 de mensalidade. Em caso de desistência, os meninos pagariam R$ 5 mil de multa contratual.

Segundo Legnaioli, os garotos estavam em São Paulo desde o começo de março e passaram por Guarulhos e Osasco antes de chegar a São Bernardo, onde ficaram por dois dias. "A princípio o destino era Campinas, onde existiria um suposto campo de treinamento, que era fictício", disse o delegado assistente.

Santa Fé Futebol Clube. Em julho do ano passado, o Santa Fé publicou nota numa rede social oficializando a saída de Daniel Magnum. A nota informava que ele optou por sair para realizar trabalho em Mauá (SP) e o descreveu como "um funcionário de boa competência, ótimo administrado e contribuiu por 12 anos no crescimento da Família Santa Fé". O Estado procurou o clube, que não atendeu as ligações.

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