Jovem que roubou bebê vai para a Fundação Casa

Adolescente de 15 anos ficará internada no máximo por 45 dias; para juiz, se crime tivesse sido cometido por um adulto, seria considerado hediondo

Pedro Marcondes de Moura, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2010 | 00h00

O juiz Caio Ferraz de Camargo Lopasso, da 4.ªVara da Infância e da Juventude da capital, decidiu ontem internar na Fundação Casa a adolescente de 15 anos que sequestrou um recém-nascido da maternidade estadual Leonor Mendes de Barros, zona leste, na terça.

A medida foi tomada com base em uma recomendação do Ministério Publico. Após ouvir a menina, o promotor Oswaldo Monteiro considerou o caso "bastante grave" e o submeteu à Justiça com uma qualificadora da infração - no caso, de sequestro.

O desembargador Antonio Carlos Malheiros, do Tribunal de Justiça de São Paulo, afirmou não poder comentar o caso específico da adolescente, mas disse que a internação de adolescentes é recomendada só como último recurso. "Deve-se evitá-la ao máximo. O que puder ser feito para substitui-la, melhor", afirmou. "Caso de sequestro de bebê, se fosse cometido por um adulto, seria crime hediondo."

A jovem foi encaminhada a uma Unidade de Atendimento Inicial da fundação, de onde será transferida hoje para a Unidade de Internação Provisória (UIP) da Mooca. Lá, a deve permanecer por, no máximo 45 dias, até que a Justiça decida a medida socioeducativa a ser aplicada.

Abortos. O pai da jovem, Carlos Alberto Marques Monteiro, de 51 anos, disse ao SPTV, da TV Globo, que sentiu-se injustiçado com a medida. Disse ter devolvido o bebê, mas perdido a filha.

Em depoimento à polícia, a menina afirmou não se conformar em ter perdido, semanas atrás, o bebê que estava esperando no quarto mês de gestação. A jovem já sofreu dois abortos espontâneos e quer muito ser mãe para o marido, de 18 anos.

Para sequestrar o recém-nascido, a menina de 15 anos comprou um jaleco branco e se passou por uma estudante de enfermagem. Depois de localizar o bebê, a jovem o retirou da mãe, Luana Aparecida Pereira, dizendo que iria levá-lo para fazer exames. Cinco horas após o rapto, a adolescente foi levada pelos pais à delegacia e devolveu a criança.

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