Isabela Miranda/Facebook
Isabela Miranda/Facebook

Jovem que foi queimada pelo namorado é enterrada nesta sexta-feira

Conforme testemunhas, estudante foi abusada sexualmente pelo cunhado, enquanto dormia. Depois, acabou atacada pelo acusado, que está preso

Ana Paula Niederauer, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2019 | 09h28
Atualizado 09 de março de 2019 | 00h42

SÃO PAULO - A estudante Isabela Miranda de Oliveira, de 19 anos, morreu na quinta-feira, 7, após ser agredida e queimada pelo namorado. O crime aconteceu durante uma festa em Franco da Rocha, no domingo. 

A vítima teve o corpo incendiado pelo namorado, William Felipe de Oliveira Alves, de 21 anos. Conforme relatos de testemunhas, ela teria sido abusada sexualmente pelo cunhado, de 23 anos, enquanto dormia. O namorado teria ido até o quarto e flagrou os dois na cama. Após ver a cena, ele espancou Isabela e em seguida, ateou fogo nela e no cunhado. 

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, a estudante teve mais de 80% do corpo queimado. Ela e o cunhado foram encaminhados ao Hospital Estadual Francisco Morato, também na região metropolitana. A jovem morreu nesta quinta-feira.

Foi solicitada perícia no local e duas facas foram apreendidas. O caso foi registrado como lesão corporal e tentativa de homicídio qualificado na delegacia de Franco da Rocha. Após passar por audiência de custódia, Alves teve a prisão decretada pela Justiça.

O caso revoltou parentes da vítima. À TV Record, o tio de Isabela, Marcelo Oliveira, disse que a agressão foi calculada. “Olha como ele (William) é calculista: colocou fogo em pequenos pedaços de plásticos e os colocou por debaixo da porta do banheiro, onde ela tinha ido se proteger. Ela teve de sair para não morrer asfixiada, mas ele já havia incendiado o colchão e jogou ela por cima.”

A família acredita que ela tenha sido estuprada, pois havia participado de um jogo com bebida alcoólica e foi amparada por amiga ao tomar banho e deitar para descansar em um quarto no andar superior do imóvel. Foi quando o cunhado a teria atacado. “Não foi consensual pelo fato de minha sobrinha estar embriagada. Ela era superdecente e estava apaixonada pelo namorado”, disse a tia, Luana de Oliveira, à Record.

Na página do Facebook da vítima, os comentários misturam indignação com tristeza. “Meu Deus por que tem de ser assim? Um menina linda com tudo pela frente, confiar em uma pessoa que falava que amava, e fez isso com ela, tirou a vida dela. Justiça que prenda o assassino e o estuprador”, escreveu uma amiga. 

Delegacias

O governo paulista anunciou nesta sexta a ampliação do tempo de atendimento de quatro Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) na capital, que passarão a funcionar 24 horas por dia. As unidades são a 2ª (Sul), 6ª (Santo Amaro), 7ª (Itaquera) e 8ª (São Mateus). Com a medida, chega a sete o total de delegacias 25 horas. A meta do Estado é chegar a 10 até o dia 31.

Feminicídio

A Câmara aprovou no final de fevereiro o pedido da deputada Flávia Arruda (PR-DF) para a criação de uma Comissão Temporária Externa destinada ao acompanhamento dos casos de violência doméstica contra a mulher e feminicídio no País

A deputada quer verificar como os Estados estão atuando, quais são as políticas implementadas, quais os recursos destinados para este enfrentamento, se há ou não orçamento garantido para a execução dessas políticas de forma permanente. 

A reportagem do Estado, mostrou que em média, uma mulher é vítima de feminicídio no Estado de São Paulo a cada 60 horas. Em 2018, 148 assassinatos foram registrados já no boletim de ocorrência como derivados de violência doméstica ou por “menosprezo ou discriminação à condição de mulher”. 

O número de mortes é 12,9% maior do que o registrado no ano anterior (131) e mais do que o dobro do que o observado em 2016 (70), embora a quantidade de homicídios dolosos tenha diminuído no Estado. Os dados foram levantados pelo Estadão Dados com base em boletins de ocorrência (BO) da Secretaria de Segurança Pública (SSP).

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