Jovem muda versão e incrimina Bruno

À Promotoria da Infância e da Juventude, J. diz agora que goleiro chegou ao sítio no mesmo dia que Eliza e ficou no local por dois dias

Eduardo Kattah, Talita Figueiredo e Ricardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2010 | 00h00

O adolescente J., de 17 anos, deu detalhes diferentes do que havia dito à polícia sobre o sequestro e assassinato de Eliza Samudio em depoimento à Promotoria da Infância e da Juventude. Segundo o Jornal Nacional, da TV Globo, que teve acesso ao texto, J. disse que, depois de machucada pelas coronhadas dadas por ele em Eliza, ela passou dois dias na casa de Bruno Fernandes no Recreio dos Bandeirantes (zona oeste do Rio), antes de seguir para o sítio do atleta em Minas.

Ele contou ainda que Bruno chegou ao sítio em Esmeraldas no mesmo dia que a ex-amante e permaneceu lá por dois dias. No primeiro depoimento, o menor tinha afirmado que Bruno só havia chegado ao sítio, de táxi, um dia depois de Eliza e que ficou no local por duas horas.

O jovem contou que Luiz Henrique Romão, o Macarrão, disse que eles iriam pegar Eliza porque ela "estava dando muita aporrinhação para Bruno por causa do filho que dizia ter com o goleiro". O garoto afirmou ainda que a mulher de Bruno, Dayanne de Souza, já estava no sítio quando eles chegaram, mas não afirmou se o goleiro e Dayanne estavam no local quando Eliza foi morta. No relato à polícia, o menor havia dito que só encontrou Dayane no sítio depois do crime.

Segundo J., Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, teria se apresentado como policial e começado a interrogar Eliza sobre eventual uso de drogas. Na nova versão do garoto, enquanto o ex-policial aplicava a gravata em Eliza, Macarrão é quem teria amarrado as mãos dela e não Bola. Depois da morte e do esquartejamento, o menor disse que Macarrão ligou para o ex-policial. Bola teria dito que cães comeram parte do corpo, mas alguns restos mortais tiveram de ser postos em parte da fundação de uma construção, que foi concretada.

O Juizado da Infância e da Juventude do Rio autorizou ontem a transferência de J. para Minas.

Bola se recusou ontem a responder às perguntas dos delegados. De acordo com o advogado dele, Zanone Oliveira Júnior, o ex-policial se reservou o direito de permanecer calado e só falar em juízo. A mesma orientação foi dada pelo advogado Ércio Quaresma a outros três suspeitos: Wemerson Marques, o Coxinha, Flávio Caetano e Elenilson Vitor da Silva.

Sanguinetti. Anteontem, Quaresma teria convidado o médico legista George Sanguinetti para apresentar um laudo do caso. "A palavra convite talvez seja muito forte. Houve uma conversa com o advogado sobre a possibilidade da minha participação no caso Bruno", afirmou Sanguinetti. "Até quinta, revelo se aceito."

Sanguinetti atuou na investigação da morte de PC Farias, em 1996. Ele discordou do laudo oficial, segundo o qual Suzana Marcolino matou PC e se suicidou. Para ele, houve duplo homicídio.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.