Jovem morto em Sydney tinha visto até 2014; família fará investigação paralela

A família de Roberto Laudisio Curti, de 21 anos, morto pela polícia australiana após uma perseguição no domingo, pagará uma investigação paralela. A falta de pronunciamentos oficiais e os boatos divulgados pela imprensa sobre o comportamento da vítima aumentaram a apreensão. A irmã, Ana Luisa Laudisio, falou pela primeira vez, ao Estado, e destacou que ele tinha visto válido até 2014 e "nunca ficou um dia sequer irregular".

JORGE BECHARA , ESPECIAL PARA O ESTADO , SYDNEY, O Estado de S.Paulo

22 Março 2012 | 03h04

Laudisio é suspeito de levar um pacote de biscoito de uma loja de conveniência, às 5h de domingo (hora local). A polícia foi avisada e, meia hora depois, iniciou a perseguição ao brasileiro na área de King's Cross. Cercado por seis agentes próximo do Consulado do Brasil em Sydney, ele morreu após receber pelo menos quatro golpes de uma arma Taser (pistola de eletrochoque).

Nos últimos dias, houve grande especulação sobre o que teria causado a fuga do brasileiro, se ele não estava envolvido no roubo - como defendem familiares e amigos. Um jornal australiano levantou a hipótese de visto irregular. A família de Laudisio nega e destaca que seu visto era válido por mais três anos - enquanto um visto comum de estudante é válido por apenas três meses.

Da mesma maneira, após a mídia dizer que a vítima esteve envolvida em dois dias de baladas com álcool e drogas, o colégio onde o brasileiro estudava saiu ontem em sua defesa. "Roberto tinha visto de estudante e fazia aulas de inglês regularmente, com planos de estender seus estudos para um curso superior. Ele era benquisto e respeitado por todos", afirmou Richard Arkell, diretor-geral da Navitas English, que fica no subúrbio de Bondi. O colégio teve até de oferecer atendimento psicológico para colegas, surpreendidos com o crime.

A família tem evitado a mídia, enquanto espera explicações oficiais do caso. Mas a polícia não apresenta resultados parciais das investigações nem da necropsia ou dos exames toxicológicos. Da mesma forma, só um dos vídeos de rua (das dezenas de câmeras) foi divulgado. Por isso, segundo Ana Luisa, decidiu-se buscar auxílio jurídico para uma investigação extraoficial.

Caso se comprove que a ação policial foi de flagrante ilegalidade, a família teria direito a uma indenização automática do Estado. No entanto, tudo dependerá do resultado das investigações. Caso se indique qualquer ato ilegal por parte do brasileiro - mesmo que seja apenas ter fugido após receber voz de prisão -, isso dificultaria a solicitação.

Protestos. Ainda não ocorreram protestos oficiais na Austrália por causa da morte do brasileiro. No Brasil, cerca de 2 mil pessoas já confirmaram, pelas redes sociais, presença em um ato no dia 30, quando serão levados biscoitos para a frente do Consulado Geral da Austrália, na Alameda Santos, em São Paulo.

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