Jovem já havia sido agredida por jogador da Lusa, segundo pais

Família de Flávia Anay, de 16 anos, afirma que agressão ocorreu há duas semanas. Eles descartam a hipótese de suicídio

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2011 | 00h00

Os pais de Flávia Anay de Lima, de 16 anos, afirmaram ontem que o namorado dela, o jogador da Portuguesa Rafael Silva, de 20, já havia agredido a estudante, que apareceu com hematomas. Os dois dizem não acreditar na hipótese de suicídio da filha. Flávia morreu na madrugada de domingo ao cair de apartamento no 15.º andar do prédio onde morava com o jogador, na Vila Carrão, zona leste de São Paulo.

A dona de casa Luara Adriana de Lima, de 38, e o marido, o empreiteiro Francisco Carlos Lima, de 42, dizem que a filha reclamava que o jogador bebia muito. Contam ainda que o casal chegou a passar por dificuldades financeiras. O auge da crise teria ocorrido no dia 16, quando a polícia foi chamada. "Ela me ligou e falou "mãe, vem pra cá porque ele está bêbado, quer comer gilete. Ele está me batendo"." Na delegacia, Flávia desistiu de fazer a denúncia.

Segundo Lima, eles alertaram a filha de que seria melhor voltar a morar com a família - Flávia saiu de casa, na Praia Grande, em setembro do ano passado para morar com Rafael. "Ontem (segunda-feira) enterrei minha filha. Hoje sou eu que morro", disse a mãe. O advogado Ademar Gomes, que defende a família, vai pedir a reconstituição da morte.

O caso havia sido registrado inicialmente como suicídio, mas a delegada seccional Elisabete Sato assumiu os trabalhos e abriu inquérito de morte suspeita. A policial começou ontem a ouvir testemunhas, como vizinhos e funcionários do prédio. "Ainda é cedo para uma reconstituição. Temos de esperar as perícias."

Ontem, o gerente do bar no qual Rafael estava no sábado - local do início da briga do casal - falou à polícia. Segundo Anderson Correa, o jogador teria chegado sozinho e não havia bebido. "Ele ficou meia hora e um cuidador de carros correu dentro do bar para avisar que Flávia estava destruindo o carro dele."

Flávia teria batido com um sapato no carro e quebrado o retrovisor. A briga continuou no apartamento. Na versão do jogador, a jovem teria atirado um alto-falante na cabeça dele. Quando Rafael ameaçou ir embora, ela teria se jogado.

Segundo o vice-presidente jurídico da Portuguesa, Giuseppe Fagotti, o atleta está no interior, na casa de parentes. "Ele colaborou, mas está muito abalado e sob cuidados médicos." A perícia deve ficar pronta em 30 dias.

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