Jovem enquadrada na Lei de Segurança Nacional nega depredação de viatura em protesto

A estudante Luana Lopes, solta na noite de quarta-feira do CDP do Belém, afirma que saiu de casa na segunda-feira 'apenas para fotografar' a manifestação

Sarah Brito, Especial para O Estado de S. Paulo

10 de outubro de 2013 | 17h15

SÃO PAULO - A jovem presa por suposta participação em atos de vandalismo no centro de São Paulo na segunda-feira, 7, se manifestou nesta quinta-feira em seu perfil no Facebook, após ser solta na quarta do Centro de Detenção Provisória (CDP) do Belém, na zona leste da capital.

A estudante de moda Luana Bernardo Lopes, de 19 anos, que foi enquadrada na Lei de Segurança Nacional, nega o envolvimento na depredação de uma viatura da Polícia Civil no protesto. "Não quebrei nada, não depredei nenhum patrimônio publico, não bati/quebrei/atirei pedras em carro, loja ou estabelecimento publico algum", escreveu. Luana afirmou ainda estar bem e que nunca foi a favor de nenhum tipo de violência. Segundo a estudante, ela saiu de casa às 17h apenas para fotografar o evento que, conforme a rede social, era sobre os professores, "com apenas três mil pessoas confirmadas".

A estudante foi presa com o pintor Humberto Caporelli, de 24 anos. Ela afirma que foi à passeata apenas para tirar fotografias. "Se cometi algum crime nessa noite, foi o de acreditar com toda minha fé que  a única arma que pode mudar algo é a da arte", disse. Eles forma presos em flagrante na esquina das Avenidas Ipiranga e São João, em meio aos atos de vandalismo promovidos por mascarados após protesto pacífico realizado pelos professores na noite de segunda-feira.

Os dois também foram enquadrados por associação criminosa, incitação ao crime, dano qualificado, pichação de monumento urbano e posse ilegal de arma de fogo de uso restrito - na mochila de Caporelli havia uma bomba de gás usada. Até as 17h15, a postagem tinha 336 curtidas, 15 compartilhamentos e 38 comentários.

Confira a íntegra da postagem no Facebook:

"Finalmente em casa, finalmente bem. Esses últimos dias foram um pouco tumultuado de fatos - e não fatos - os quais me limito a dividi-los aqui em muita síntese.

Primeiramente aqui vai meu grito - até o momento surdo -: não quebrei nada, não depredei nenhum patrimônio publico, não bati/quebrei/atirei pedras em carro, loja ou estabelecimento publico algum. Nunca fui a favor de nenhum tipo de violência gratuita, pelo contrário, sempre acreditei que mesmo o pior dos seres - o pior de todos os seres, e o pior de todos nós ao 'sermos'-, mesmo esses tem sua humanidade e é a ela que devemos procurar, sempre.

Mas independe de minhas algumas crenças e ideologias, no momento o fato é que estou sendo acusada de coisas as quais não fiz. Nessa segunda feira dia 7, saí de casa mais ou menos as 17h para fotografar um evento que, segundo o facebook, era sobre os professores com apenas 3 mil pessoas confirmadas.

Fomos eu e Humberto - meu amigo, não namorado - com uma câmera na mão e algumas tintas (como de costume, já não me lembro o dia que sai de casa sem pelo menos um pincel, caneta e papel na bolsa). Nos propomos a ir lá fotografar um momento de nosso tempo - não sei se faz sentido a vocês, mas sempre fui uma grande apaixonada, e curiosa pela história do mundo - e foi isso, e apenas isso que fizemos, que fiz.

Se cometi alguma crime nessa noite, foi o de acreditar com toda minha fé que única arma que pode mudar algo é a da arte. Só a arte para atingir a todos e não ferir um único. Fui até aquela passeata na companhia de Humberto tirar retratos da doença social que nos afeta todos os dias (e não só os que lojas são quebradas).

E foi isso que fizemos, que fiz. Os retratos foram tirados, e o choro dessa cidade enorme cabia então na minha mochila, e agora já chegou a todo canto desse sofrido país.  Sempre acreditei que arte mudava as pessoas. Só nunca achei que ia ver tão de perto tanta coisa acontecer. A confusão enorme em que iam me colocar só porque tinha algumas fotos na mochila."

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