Estudante é morta por padrasto após faltar a uma aula na Grande SP

Larissa Gabrielle, de 18 anos, morreu esfaqueada em casa, em Itapecerica da Serra; Leandro Garcia, de 41, foi preso em flagrante

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2015 | 14h21

Atualizado às 16h52

SÃO PAULO - A estudante Larissa Gabrielle, de 18 anos, foi morta a facadas pela padrasto na casa onde morava, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, após os dois discutirem porque a jovem não foi à aula. Os policiais encontraram no local uma agenda com marcas de sangue e uma confissão escrita pelo assassino. O caminhoneiro Leandro Godofredo Garcia, de 41 anos, ainda tentou cometer suicídio mas acabou preso em flagrante.

 

A vítima foi atingida por ao menos quatro golpes desferidos pelo padrasto na tarde da última terça-feira, no bairro de Potuvera, em Itapecerica da Serra. Por volta das 16h30, Garcia foi encontrado por policiais militares caído no chão do quintal. Ele estava consciente, apesar de apresentar um corte de faca no pescoço - provocado pela tentativa de suicídio.

Depois, os policiais encontraram o corpo de Larissa no chão da sala. A jovem tinha ferimentos de faca no tórax, abdôme, costas e braço esquerdo. Sobre a escrivaninha, havia uma agenda com marcas de sangue. "Matei por não respeitar, perdoa Deus", dizia uma frase escrita em uma das folhas.

Aos policiais, Garcia teria confessado que discutiu com a enteada - e, irritado, a esfaqueou. Em depoimento, o suspeito também teria afirmado que Larissa tentou agredi-lo com uma faca. O motivo do crime seria porque a vítima havia faltado a uma aula.

"Segundo ele, a menina não lhe obedecia: saía, sumia, não dava satisfação. No dia, ele foi avisado que a menina havia fugido da aula e foi chamar atenção dela", afirma o delegado Marcelo Santos Silva, titular da Delegacia de Itapecerica da Serra. Após cometer o crime, Garcia teria se arrependido. Ele apanhou outra faca e fez um corte no próprio pescoço para tentar se matar.

Duas facas foram apreendidas na casa onde o padrasto e a enteada moravam: uma de aproximadamente dez centímetros e a outra, de 25 cm. Os objetos serão submetidos à perícia. Garcia foi socorrido para o Hospital Geral de Itapecerica da Serra, onde ficou em observação sob escolta policial. Ele foi levado para um Centro de Detenção Provisória (CDP) depois de receber alta.

Investigações. A Polícia Civil investiga se os dois mantinham algum relacionamento amoroso - hipótese que foi negada pelo suspeito em depoimento. Os policiais tentam identificar familiares e pessoas próximas que possam falar sobre a relação entre o padrasto e a enteada.

Garcia morava no Rio Grande do Sul com Larissa e a mãe dela. Ele e a estudante se mudaram para São Paulo após a morte da companheira, há cerca de seis anos. À época, o caminhoneiro fazia deslocamentos frequentes entre os dois Estados, mas passou a realizar apenas viagens locais para priorizar a criação da enteada.

  

Segundo a Polícia Civil, não há boletins de ocorrência de violência doméstica, agressão ou de crimes sexuais envolvendo o padrasto e a enteada. Garcia também não apresenta antecedente criminal. Ele vai responder por homicídio qualificado, por motivo fútil e por não ter possibilitado defesa à vítima.

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