Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Jovem é detido pela PM e gera tumulto na Marcha da Maconha

A detenção ocorreu na Rua Augusta na tarde deste sábado por posse de drogas

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

08 Junho 2013 | 19h00

ATUALIZADA ÀS 20h25

Um jovem foi detido por volta das 17h10 deste sábado (8) por posse de drogas durante a Marcha da Maconha, manifestação que seguiu neste sábado, 8, em passeata pela Avenida Paulista e pelas Ruas Augusta e da Consolação.

A detenção ocorreu na Rua Augusta, na altura da Rua Peixoto Gomide. O jovem detido foi levado para o 78º Distrito Policial (Jardins), na Rua Estados Unidos, segundo o tenente da PM Becker, subcomandante da operação.

Houve enfrentamento com os policiais. No confronto, alguns manifestantes arremessaram objetos como latas contra os policiais, que revidaram com os cacetetes de borracha. Houve relato de uso de spray de pimenta pelos agentes de segurança.

Por volta das 18h30, a passeata chegou à Praça da República, onde os manifestantes de concentraram para um show de reggae em volta do antigo coreto. A banda Soul Shakers tocava músicas de Bob Marley.

O tenente Becker, da PM, subcomandante da operação, informou que a polícia estimava a presença de 1.000 pessoas no evento, mas a organização calculou o número em 10 mil. Ao longo da marcha, a reportagem viu pessoas fumando maconha.

Para uma das organizadoras do evento, Gabriela Moncau, isso demonstra uma evolução por parte da sociedade, mais tolerante em relação ao tema. "Embora nós não estimulemos que as pessoas tragam drogas, creio que isso mostra que as pessoas estão cansadas da hipocrisia, de achar que ninguém fuma maconha."

Em sua opinião, a marcha foi um sucesso. "Cumpriu o papel de chamar a atenção da população, mas acho que a polícia foi truculenta ao abordar o garoto. Os policiais estavam torcendo o braço dele sem que ele estivesse oferecendo nenhuma resistência."

Advogados do coletivo se encaminharam ao 78º DP para providenciar a soltura do rapaz, que, segundo apurou a reportagem, teria 17 anos e passagem pela Fundação Casa.

Expectadores. Quem viu a marcha de fora, aprovou o evento. Na Rua Augusta, o ambulante Edivaldo Lobo, de 37 anos, se divertia com um dos gritos de guerra dos manifestantes - "Eu sou maconheiro, com muito orgulho, com muito amor". "É a democracia de poder falar o que pensa."

Já o artesão Antônio José da Silva, de 48 anos, decidiu se unir ao protesto. "Estou aqui porque sou contra a corrupção e a favor da liberação da maconha, apesar de eu não usar."

Manifestação. O mote da marcha neste ano é a repressão envolvendo as mulheres. A bandeira do movimento é feminismo e antiproibicionismo, com a frase "ventre livre e cabeça feita", em defesa da liberdade de escolha do aborto. Mas a questão da descriminalização de certas drogas no País também está sendo abordada pelos manifestantes. Em um cartaz levantado por uma jovem era possível ler "O tráfico é contra a legalização das drogas. E você?"

Em 2011, houve confronto da PM com os participantes do movimento. Na época, a corporação alegava que o grupo não poderia marchar usando palavras e imagens que fizessem apologia a drogas, argumentando que isso era criminoso. No ano passado, porém, o Superior Tribunal de Justiça (STF) interpretou esse usou como legal.

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