Jovem é baleado após Parada Gay do Rio e acusa militares

D., de 19 anos, disse que beijava o namorado quando três agentes do Exército apareceram e começaram a agredi-los

Marcelo Auler / RIO, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2010 | 00h00

O jovem D.I.M.L., de 19 anos, foi ferido com um tiro na barriga no Arpoador, zona sul do Rio, na noite de domingo, após a Parada Gay na orla de Copacabana. Ele acusa três militares do Exército de abordarem ele e seu namorado quando estavam "dando beijos". Inquérito vai apurar tentativa de homicídio e crime de discriminação por preconceito.

Os três militares, segundo depoimento do jovem ao delegado Alessandro Thiers, apareceram no Parque Garota de Ipanema - separado por uma grade do Forte de Copacabana - no momento em que um grupo de pessoas usava a área para sexo ou simples namoro, como disse ser seu caso. "Eles estavam com roupa camuflada, aquela meio azulada, agruparam cerca de 15 pessoas e começaram a tocar o terror psicológico. Começaram a ofender, a xingar, dizendo que se pudessem matavam cada um de nós com as próprias mãos. Humilharam e bateram, entre outras coisas", disse o jovem, aluno do ensino médio, após ser atendido no Hospital Miguel Couto e liberado. O ferimento foi superficial.

Segundo D., como seu acompanhante estava sem RG, os militares os retiveram no local após liberar os demais. "Ao ficarmos só nós dois, eles nos agrediram verbalmente e fisicamente. Foi quando um deles me empurrou, eu caí sentado e ele atirou na minha barriga", contou. Depois, o militar ainda lhe deu um chute. Ele foi socorrido por PMs.

O Comando Militar do Leste pela manhã divulgou nota afirmando que "nenhum militar do Forte de Copacabana disparou arma de fogo esta madrugada no Arpoador" e negando que militares façam ronda na área externa ao forte. À tarde, encaminhou dois oficiais à delegacia para ajudar no esclarecimento do caso. Os 30 militares em serviço no domingo serão levados à delegacia.

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