Jovem é acusado de atirar cinzeiro em manifestantes

Sobrinho do maior empresário do setor de transportes do Rio nega agressão e diz que só arremessou dinheiro

FELIPE WERNECK / RIO, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2013 | 02h07

Fotografado arremessando uma nota de R$ 20 em forma de "avião" da sacada do Hotel Copacabana Palace na direção de manifestantes que se reuniam na calçada durante a festa de casamento da prima, na noite de sábado, Daniel Barata, de 18 anos, é apontado pela polícia como principal suspeito de ter atirado o cinzeiro de vidro que feriu gravemente um dos rapazes na cabeça. Sobrinho do maior empresário do setor de transportes no Rio, Jacob Barata, conhecido como rei dos ônibus, Daniel nega.

"Joguei uma nota de R$ 20 da sacada do hotel com o objetivo, sim, de repudiar os manifestantes na entrada e admito que errei, assim como acredito que erraram os que atiraram pedras e ovos nos convidados", escreveu Daniel no Facebook.

Pela internet, ele também negou a acusação da polícia. "Não tenho nada a ver com quem tacou cinzeiro em cima de manifestante (aliás já tinha ido embora nessa hora) e não fazia ideia de soco na cara de advogado nenhum." Para o delegado José William de Medeiros, titular da 12.ª DP, "todos os indícios apontam que Daniel tenha jogado o cinzeiro". Ele será intimado a depor.

O estudante Ruan Nascimento, de 24, morador do Complexo do Alemão, na zona norte, foi atingido pelo cinzeiro e levou seis pontos na testa. Ontem, ele prestou depoimento e disse que vai processar o responsável pela agressão. A polícia ainda aguarda as imagens das câmeras de segurança do hotel. A advogada Heloísa Samy, que acompanhou Nascimento, acusou Daniel de ter agredido outros dois manifestantes.

A neta de Jacob Barata, Beatriz, casou-se com Francisco Feitosa Filho, cujo pai é ex-deputado e dono de empresa de ônibus no Ceará. O protesto começou na igreja, no centro. A PM teve de formar um cordão de isolamento para a noiva entrar na igreja. Depois, os manifestantes seguiram para o Copacabana Palace. Policiais militares acabaram com o protesto lançando bombas de gás e de efeito moral.

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