Jovem de 27 anos morre a bordo de transatlântico em Santos

Vítima de insuficiência respiratória, Diego chegou a ter atendimento médico; é a quarta morte desde dezembro

Zuleide de Barros, O Estado de S. Paulo

17 Janeiro 2009 | 14h50

O empresário e estudante Diego Mendes Oliveira, de 27 anos, que residia em Santo André, no ABC paulista, morreu na madrugada deste sábado, dia 17, por volta das 2h30, a bordo do navio Soberano. O transatlântico se preparava para desembarcar em Santos, após cruzeiro de sete dias pelas praias do Nordeste, incluindo paradas em Salvador e Ilhéus, na Bahia. Esta é a quarta morte em cruzeiros desde o final de dezembro.   Diego começou a passar mal na quinta-feira, com sintomas de febre, vômitos e diarréia, quando os médicos da embarcação o atenderam na cabina, ocupada também por seu irmão Tiago, de 25 anos, e por mais dois amigos que moram no ABC paulista. Depois do atendimento, o rapaz teve ligeira melhora, voltando a se alimentar à noite. Na sexta-feira, porém, voltou a passar mal, queixando-se ainda de dores nas pernas, ocasião em que foi removido para o Centro Médico do navio, onde veio a falecer.   O corpo de Diego foi encaminhado no início da manhã deste sábado ao Instituto Médico-Legal de Santos que, dentro de 30 dias, deverá divulgar a causa da morte do rapaz. Segundo informou neste sábado o delegado Moyses Eduardo Ferreira, da Polícia Federal, todos os procedimentos médicos foram tomados no interior do navio para salvar o passageiro. "Dentro da embarcação não houve queixas de mal-estar generalizado, o que caracterizaria uma intoxicação", disse, lembrando que deve-se levar em conta o que o empresário teria ingerido durante as paradas do navio.   Alguns companheiros de viagem de Diego informaram que o grupo teria consumido ostras em Salvador, mas que somente ele passou mal. De acordo com o delegado Moyses, não se pode generalizar "que está havendo um cruzeiro de mortes", em razão dos quatro óbitos, porque esses navios carregam um universo de 4 a 5 mil pessoas, das idades mais variadas e em diversas situações.   Choque   Somente no desembarque do navio é que o pai de Diego, o também empresário Valdir de Oliveira, que chegou na noite de sexta-feira em Praia Grande, soube da morte do filho, ficando em estado de choque com a notícia.   Indiferentes à tragédia, uma multidão de passageiros acotovelou-se no Terminal de Passageiros Giusfredo Santini, para mais uma rodada de embarques. Até o final de março, mais de 150 mil passageiros, não só do Estado de São Paulo, mas de todo o País, devem passar por Santos na atual temporada de cruzeiros.   Quatro mortes   Esta é a quarta morte de passageiros na atual temporada de cruzeiros pela costa brasileira. A primeira foi da estudante Isabela, em Ilhabela, no litoral paulista, no final do mês passado, durante um cruzeiro universitário. A causa da morte da jovem ainda está sendo apurada. Houve denúncias de alguns passageiros sobre o excesso de consumo de drogas e bebidas alcoólicas no cruzeiro.   A segunda vítima foi outra estudante, que viajava em companhia de uma enfermeira, em outro cruzeiro. Já no sábado passado, uma passageira de 74 anos, da cidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, que viajava com a familiares. Ela desmaiou durante o check-in e morreu antes do desembarque, em Santos, após várias tentativas de reanimação.   Nota da CVC   A empresa CVC, que fretou o navio para organizar o cruzeiro, divulgou uma nota neste sábado sobre a morte de Diego. Confira a íntegra da nota:   Esta nota visa esclarecer os fatos relativos ao falecimento de Diego Mendes na última 6ª feira, 16/1. O navio Sovereign, operado pela empresa espanhola Pullmantur e fretado pela CVC, iniciou um de seus cruzeiros pela costa brasileira no último dia 10/1, com chegada prevista para a data de hoje no Porto de Santos.   O navio partiu com 2.300 passageiros a bordo, em sua grande maioria famílias em férias, seguiu sua programação normal dentro dos melhores padrões de qualidade e, com exceção do caso de Diego, não teve nenhuma outra ocorrência de destaque.   Na noite de ontem (sexta), Diego se sentiu mal e foi atendido pela equipe médica a bordo, que usou toda a infra-estrutura para atendê-lo. Infelizmente, veio a falecer por insuficiência cardíaca, conforme laudo médico.   A CVC se solidariza com todos os familiares e amigos de Diego, e se coloca a seu lado neste momento de profunda tristeza.   Texto ampliado às 17h25 para acréscimo de informações.

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