Rede de Proteção e Resistência contra o Genocídio
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Jovem de 16 anos acusa sete seguranças da CPTM de espancamento

Rapaz afirma que foi levada a uma sala fechada e agredido por sete funcionários da Estação Corinthians-Itaquera, na zona leste, na sexta-feira

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2019 | 20h13

SÃO PAULO - Um jovem de 16 anos diz ter sido espancado por sete seguranças da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) em uma sala da Estação Corinthians-Itaquera, na zona leste de São Paulo, na última sexta-feira, 25. O caso é alvo de investigação da Polícia Civil. Por sua vez, a CPTM afirma que pode demitir os envolvidos.

Segundo o boletim de ocorrência, o rapaz tentou pular a catraca da CPTM, mas foi pego por um segurança e expulso do local. Em seguida, ele conseguiu um bilhete e embarcou regularmente, mas acabou sendo perseguido por mais guardas, que teriam o agarrado pelo braço e, de novo, o retirado de lá, segundo afirma no depoimento.

O caso aconteceu por volta das 18h30. A vítima relata ter sido levada até uma sala fechada, onde teria sido espancado. Ao todo, sete funcionários da Estação teriam participado da sessão de tortura

O jovem chegou em casa com ferimentos e hematomas espalhados pelo rosto, pescoço, costas e tórax. Acompanhado de uma irmã mais velha, ele prestou queixa no 50º Distrito Policial (Itaim Paulista) na tarde do dia seguinte - a ocorrência foi registrada como lesão corporal.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirma que a delegacia instaurou inquérito policial para apurar o caso. "As imagens de câmeras de segurança do local serão analisadas, bem como os exames periciais solicitados", diz. "Todas as pessoas envolvidas na ocorrência serão ouvidas para o esclarecimento dos fatos."

A família e o rapaz estão sendo acompanhados pela Rede de Proteção e Resistência contra o Genocídio. A organização afirma que vai pedir auxílio à Defensoria Pública e também acionar o Ministério Público de São Paulo (MPE-SP).

Segundo a Rede, há dias em que o rapaz trabalha de ambulante em estações do Metrô (e não da CPTM), atividade que é proibida. Na hora da ocorrência, entretanto, ele não estaria praticando a atividade irregular, diz a organização.

CPTM pode demitir envolvidos

"A CPTM está levantando as imagens do circuito interno para verificar o caso e vai abrir investigação para apurar os fatos", afirma a companhia, em nota. "Caso seja comprovada a agressão a empresa deve tomar as medidas legais aplicáveis nesta situação, como o afastamento e a demissão dos envolvidos."

Ainda no comunicado, a CPTM afirma que "não admite e não compactua com casos de violência". "Segundo informações preliminares, um vendedor ambulante tentou invadir a Estação Corinthians-Itaquera sem pagar pela passagem e foi impedido pelos empregados da empresa", diz.

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