Jornalista testemunha queda de avião na zona norte de SP

Alexandre Barbosa descreve a decolagem e a queda do jato que se acidentou após decolar do Campo de Marte

Alexandre Barbosa, especial para o estadao.com.br

04 de novembro de 2007 | 16h48

Ver um avião cair no bairro em que cresci é algo que não vai sair da minha cabeça tão cedo. A imagem do Learjet (ser vizinho de aeroporto faz você conhecer algo sobre aviões) caindo para a direita fica se repetindo na memória como um replay indesejado na tarde deste domingo. E o que me fez ser testemunha ocular do acidente foi a folga que a chuva deu sobre a zona norte, e que me permitiu sair com minhas duas cachorras para passear.   Veja também:   Jatinho cai na zona norte de SP e deixa 8 mortos  Vítimas em terra eram todas da mesma família Vídeo do local do acidente  Vídeo das casas atingidas pelo jato  Vídeo do resgate no local do acidente  Veja como foi o acidente com o Learjet 35 Galeria de  fotos   Morador flagra queda de jato e filma resgate  Em uma semana, 4 acidentes aéreos em SP   Acostumados que estamos, no entorno do Campo de Marte, a ver aviões decolar e aterrissar toda hora, nem dei bola para o ruído de turbinas a jato vindo da pista, enquanto subia a Rua Heliodora, rumo à Avenida Brás Leme.   Foi então que eu notei que o jato estava subindo de um jeito muito estranho, inclinado, quase como se estivesse arremetendo na vertical. Não precisava ser piloto para ver que algo estava estranho: naquele ângulo e à baixa altitude, a aeronave não teria sustentação.   O raciocínio, que durou uma fração de segundo, virou pasmo quando o avião, em vôo, continuou fazendo uma curva para a direita apenas para se precipitar sobre o morro, caindo e deixando uma coluna de chamas e nuvens de fumaça iguais às de um filme.   O pequeno jato caiu sobre a zona residencial que divide os bairros de Santana e Casa Verde, mais exatamente entre as ruas Sóror Angélica e Maria Curupaiti (as duas, por sinal, terminam na Rua Tenente Rocha, onde cresci e que está separada do Campo de Marte por uma cerca).   Logo em seguida, avisei minha mulher e fomos até o alto do morro, onde era possível sentir o cheiro de fumaça e querosene de aviação queimada a uma distância de pelo menos duzentos metros.   Ao chegarmos lá, já víamos as equipes de resgate e uma multidão de curiosos que circundavam o local, incluindo o desespero de um senhor que era morador de uma das casas atingidas e que era amparado pelos vizinhos, enquanto a zona do acidente era sobrevoada pelos helicópteros da polícia e de canais de televisão.   Além da lembrança terrível de ter visto o acidente, fica agora a insegurança de quem é vizinho de um aeroporto. Por mais que eu tente racionalizar, não me sai da cabeça o risco que é, hoje em dia, morar próximo de aeronaves no Brasil.

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