Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Jornalista é detido após pichar monumento na Sé

Jovem de 26 anos disse que protestava contra 'ações políticas' e contra o prefeito em intervenção artística, segundo boletim de ocorrência

Fábio Leite e Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

25 Janeiro 2017 | 11h03
Atualizado 25 Janeiro 2017 | 14h45

SÃO PAULO - Um jornalista foi detido em flagrante depois de atirar ovos com tinta no monumento do apóstolo Paulo, na Praça da Sé, na região central de São Paulo, na madrugada desta quarta-feira, 25. Ele assinou um  termo circunstanciado, quando o crime é considerado sem gravidade, e foi liberado.

Segundo o boletim de ocorrência, o jovem Pedro do Amaral Souza, de 26 anos, foi flagrado por um guarda civil metropolitano (GCM) que atuava na base da praça. O guarda chamou reforço e deteve o jovem. Ele disse ao GCM que "estava protestando contra diversas ações políticas e realizando intervenção artística, mas que protestava principalmente contra o prefeito", informa o BO. 

Foi requisitada perícia no local e o caso foi registrado no 8º Distrito Policial (Brás).

O advogado do jornalista, Rony Hergert, disse ao Estado que seu cliente, acusado de crime ambiental, passará por uma audiência de conciliação com "provável" proposta de acordo. Ele não soube dizer se o jovem atuou sozinho. A reportagem não conseguiu contato com o jornalista.

Kobra. Outra "revanche" dos pichadores contra o prefeito João Doria foi registrada nesta quarta-feira: um painel do grafiteiro Eduardo Kobra amanheceu pichado na Avenida 23 de Maio. Ele é frequentemente citado pelo prefeito como um de seus grafiteiros favoritos. Além da tinta, há um boneco com rosto de Doria, como se ele estivesse passando a tinta.

O prefeito criticou as ações e defendeu "linha dura" contra os pichadores na cidade. "A responsabilidade do prefeito é administrar a cidade. O que eles fizeram foi uma agressão. Agrediram a obra de um artista. O Eduardo Kobra é um artista, um grafiteiro, um muralista. Ele foi agredido com essa pichação. Isso revela a índole desses pichadores. Eles não querem bem à cidade, não querem bem a ninguém. São agressores, são destruidores da cidade", disse o prefeito.

O prefeito afirmou ainda que não haverá "moleza" em seu mandato. "Ao invés de ter o prefeito amolecendo, vão ter o prefeito endurecendo. Comigo não vão ter moleza. Sou o prefeito da cidade para defender a cidade. E o interesse da cidade é sem pichação. Eles terão a resposta, isso é inaceitável. Não é lugar de pichador em São Paulo", afirmou. "Ou mudam de profissão ou vão fazer o que desejarem ou mudem de cidade. Enquanto eu for prefeito da capital de São Paulo eles terão tolerância zero. Pichador aqui não é bem-vindo."

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