Jornada terá bloqueios e veto a mascarados

Barreiras serão montadas em um raio de 4 km do Campus Fidei para evitar protestos; além disso, redes sociais são monitoradas

Roberta Pennafort / Rio, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2013 | 02h07

Para impedir protestos que atrapalhem as atividades da Jornada Mundial da Juventude no Campus Fidei, onde se reunirá 1,5 milhão de peregrinos nos dias 27 e 28, as Forças Armadas montarão barreiras em um raio de 4 quilômetros do terreno, em Guaratiba, na zona oeste do Rio. Não está prevista revista generalizada, mas grupos considerados suspeitos serão vetados, assim como pessoas usando máscaras, como tem sido visto nos protestos.

A segurança no Campus Fidei e entorno ficará a cargo de 7 mil militares do Exército e da Marinha. Somente os da parte externa disporão de armas letais e não-letais, disse ontem o general-de-divisão José Alberto da Costa Abreu, do Centro de Coordenação de Defesa de Área do Rio. No palco onde o papa falará aos fiéis, no qual também estará a presidente Dilma Rousseff, 400 policiais trabalharão de terno.

"Já estávamos trabalhando com a possibilidade de haver movimentos contestadores. Fomos surpreendidos com os protestos na Copa das Confederações, ninguém esperava. É claro que não vamos chegar com munição letal ou não-letal num ambiente de 1,5 milhão de pessoas", garantiu Abreu.

A "Operação Papa" contará com 13.700 agentes de segurança, entre militares, policiais e demais órgãos de segurança e da ordem pública. As Forças Armadas cuidarão de estruturas estratégicas de fornecimento de água, energia, transportes e telecomunicações, fundamentais à realização da Jornada.

Só vão para as ruas conter manifestações caso o governador Sérgio Cabral (PMDB) solicite apoio à presidente Dilma. "Será só se a situação sair do controle. Nas manifestações ocorridas previamente, isso não aconteceu", ressaltou Abreu.

A 4.ª Brigada de Infantaria Leve, que fica em Juiz de Fora (MG), será deslocada para fazer a segurança durante a vigília no Campus Fidei, em substituição aos agentes particulares que a princípio seriam contratados pelo comitê organizador. Os policiais têm experiência no Haiti - onde atua a força de paz brasileira - e falam diversos idiomas.

Na Praia de Copacabana, onde o papa saudará os jovens na quinta e na sexta-feira, agentes à paisana vão se infiltrar entre os cerca de 2 milhões de peregrinos para coibir distúrbios. Mas não serão feitas barreiras de controle, informou o diretor de Operações da Secretaria Extraordinária para Segurança de Grandes Eventos do Ministério da Justiça, José Monteiro.

Internet e papamóvel. Os responsáveis pela segurança do evento confirmaram que as redes sociais estão sendo monitoradas. Isso por causa do agendamento de manifestações para a estada do papa - no dia 22, no Palácio Guanabara, e nos dias 26 e 27, em Copacabana.

Monteiro revelou que o fato de o papa ter decidido se deslocar no Rio em um veículo não blindado exigirá reforço de sua segurança pessoal. "A gente está conversando com o Vaticano. Vamos achar um ponto ótimo entre o que é necessário à segurança e o perfil do papa. Não vamos abrir mão dos requisitos mínimos para sua segurança." Serão 750 agentes federais só nesta tarefa. Quatro fizeram treinamento no Vaticano e estarão com o papa em todos os seus passos no Brasil, 24 horas.

Policiais rodoviários federais ficarão responsáveis pela escolta do pontífice. Cada lugar por onde ele passará sofrerá ainda varredura prévia com auxílio de cães farejadores. / COLABOROU MARCELO GOMES

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