Jogo violento teria levado filho a matar casal de policiais

Representante da OAB diz que ‘influência’ fica clara nos depoimentos e não restam dúvidas sobre a autoria do crime

Luciano Bottini Filho,

16 de agosto de 2013 | 23h05

O presidente da Comissão de Segurança Pública da Ordem dos Advogados do Brasil - da Seção de São Paulo (OAB-SP) -, Arles Gonçalves Júnior, confirmou nesta sexta-feira, 16, que os mais de 30 depoimentos prestados até agora indicam que um jogo de videogame pode ter levado o adolescente Marcelo Pesseghini, de 13 anos, a matar os pais, a avó e a tia-avó. Ele foi uma das pessoas que acompanhou os trabalhos do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). "Por jogar o videogame muito, ele foi influenciado."

"Esse caso é um divisor de águas. Pais e policiais terão de repensar as suas posições", afirmou o advogado, na saída do DHPP. Segundo o inquérito, o garoto teria ficado mais introspectivo na escola desde abril e começado a agir de forma estranha um pouco antes dos crimes. Teria conversado com colegas sobre a intenção de matar os pais: o sargento da Rota, Luís Marcelo Pesseghini, de 40 anos, e a mãe, a cabo do 18.º Batalhão Andreia Regina, de 36. Acredita-se que eles não tenham percebido o que se passava.

"Quem tem de analisar isso (a alteração no comportamento) é a perícia e psiquiatras", disse Gonçalves. Ao menos seis colegas de escola do adolescente já foram ouvidos pela polícia. Eles relataram participar de um grupo de Assassin’s Creed, jogo cujo protagonista é um matador. Já familiares teriam dito que o menino chegou a apontar uma arma do pai para parentes. "Tudo indica que foi o garoto. Não há possibilidade de uma terceira pessoa", afirma o advogado.

Protesto. Nesta sexta-feira, uma equipe de cerca de dez policiais do Grupo Especial de Resgate (GER) ficou de prontidão na entrada do DHPP, pois havia ameaça de manifestação na frente do local. O evento marcado pela internet teve confirmação de mais de 600 pessoas, mas não houve a presença de ninguém.

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