Jogo 'Fuga da vila cruzeiro' vira febre

Em menos de 30 horas, cerca de 60 mil pessoas acessaram o controverso Fuga da Vila Cruzeiro, jogo online criado por uma empresa baiana que consiste em balear traficantes que fugiram do cerco policial na favela. A cada clique no mouse, um tiro e uma morte, com direito a estampido. Um marcador contabiliza os foragidos e os mortos.

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2010 | 00h00

As impressionantes imagens do alto da Serra da Misericórdia feitas pela TV Globo na quinta-feira passada serviram de base ao inventor, o publicitário Neca Boullosa, diretor da Pindorama Games. Ele jura que não teve a intenção de induzir ninguém à violência. "O game é um instrumento de discussão."

De Salvador, ele acompanhou a repercussão da gravação, feita do helicóptero da Globo. "As pessoas ficaram chocadas. Nos fóruns da internet, só se falava disso. Tive a ideia de não colocar um objetivo no jogo. O jogo não tem fim porque o conflito não tem fim. Você não ganha pontos nem muda de nível se matar mais", explica.

"A discussão está proposta: e agora, com a arma na mão, você atira ou não? A maioria esmagadora está vendo o jogo como uma catarse." A apresentação do jogo (www.kongregate.com/games/pindorama/fuga-da-vila-cruzeiro) é cautelosa: "O objetivo deste jogo não é matar os traficantes, tampouco deixá-los fugir. É apenas retratar aquele momento e dar a você a oportunidade de decidir."

Em inglês, um internauta diz: "Esse jogo não precisa de um objetivo. Só precisa ser divertido!!! Algo que você viu na TV e imagina como seria com um final diferente." Outro, também em inglês, critica: "A pressa em fazer esse jogo fez com que fosse chato e sem sentido." Em português, um ri: "Que coisa comédia."

No Twitter e no Facebook, o jogo foi dos assuntos mais comentados ontem.

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