Felipe Rau/AE
Felipe Rau/AE

Jogar rúgbi vira mania para 'tribo' de faculdade

SP ganha 1º campo público do esporte no Tatuapé; nº de adeptos aumenta 30% ao ano

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2010 | 00h00

Uma nova tribo de esportistas vem conquistando territórios em São Paulo e em todo o Brasil: os adeptos do rúgbi. O último espaço conquistado foi no Parque Esportivo dos Trabalhadores (antigo Ceret), no Tatuapé, zona leste, onde a Prefeitura acaba de criar o primeiro campo público de rúgbi da capital. Trata-se de um espaço privilegiado para uma modalidade que vem ganhando clubes e ocupando lugares nas universidades.

Atualmente, existem 30 mil praticantes da modalidade no País - somente em São Paulo, são 1.200 jogadores federados. E esse número cresce cerca de 30% ao ano, de acordo com a Confederação Brasileira de Rugby (CBR). "A força do rúgbi brasileiro está em São Paulo e nem tínhamos campo. Agora devemos avançar muito", diz Eduardo Pacheco e Chaves, da Federação Paulista de Rugby (FPR). O novo campo encontra-se sob responsabilidade da FPR desde o começo do mês.

Durante muitos anos centralizado em alguns clubes tradicionais, como o Clube Atlético São Paulo (Spac), o jogo é um fenômeno atual dentro das faculdades. Os campeonatos universitários já contam com 18 times, fora outra dúzia de equipes que ainda não competem. Muitas dessas agremiações ainda participam das competições oficiais. "Muita gente quer se envolver só para poder colocar a camisa. O que não é tão ruim para a gente", diz Murilo Perez, de 47 anos - com mais de 30 anos de rúgbi.

Mas a maioria leva a sério essa prática: mais do que apenas esporte virou filosofia, quase um jeito de viver. "Ele (o rúgbi) carrega muito os valores de equipe, de amizade, que às vezes não são compreendidos porque é um esporte que tem muito contato", explica o inglês Duncan Randall, de 38 anos, presidente de Rúgbi do Spac.

Das salas para o campo. O estudante de Direito Rodrigo Camargo Pucci, de 21 anos, faz parte de um dos times da Universidade Mackenzie. "Ingressei na faculdade no ano passado e no primeiro dia de aula encontrei um cara que jogava e já me envolvi", diz ele. "Está virando uma marca no mundo universitário."

Somente na Universidade de São Paulo (USP) há seis equipes. A Escola de Artes e Ciências Humanas (EACH), conhecida como USP Leste, tem seu time desde o início de 2009. "No começo deste ano demos um grande salto, já temos mais de 20 jogadores", diz o estudante de Marketing Gustavo César Martins da Silva, de 20 anos.

Fundador da equipe, Silva joga desde 2007. Começou sob a influência do que é considerado um divisor de águas no Brasil: a transmissão da Copa do Mundo de Rúgbi pelo canal ESPN naquele ano. A CBR estima que haja 250 clubes espalhados pelo País - antes de 2007 esse número ficava em torno de 120. "Há três anos era distante falar em profissionalização. Hoje já temos condição de pensar nisso", diz o diretor esportivo da CBR, Antonio Martoni Neto. Entusiasta do esporte, Martoni foi comentarista da transmissão da Copa do Mundo.

Ele afirma que a inclusão do rúgbi como jogo olímpico foi mais um empurrão. "Agora, o desenvolvimento depende quase exclusivamente de criarmos espaços como o do Tatuapé."

Aulas. A ideia da FPR é de que o novo campo seja usado para treino e competições dos times atuais, mas também como polo de crescimento da modalidade. "Queremos massificar, levar o rúgbi para dentro das escolas", diz Chaves. Segundo ele, o esporte sempre esteve centralizado nas camadas mais elitizadas e ter um espaço na zona leste, região mais populosa da cidade, é um marco importante. Em parceria com a ONG Hurra - de incentivo ao esporte -, a federação já oferece aulas gratuitas duas vezes por semana.

No campo novo, ainda faltam as traves em forma de H, uma reforma no gramado e a instalação de iluminação, mas os treinos já estão sendo feitos por lá. A Prefeitura só cedeu o espaço - a reforma ficará a cargo da federação. A FPR estima um gasto de R$ 200 mil e o plano é levantar a verba por meio de leis de incentivo ao esporte.

A sensação entre os envolvidos é de que o Brasil virou terreno fértil para que o rúgbi alcance o mesmo sucesso que tem em vários países. Depois do futebol, é a modalidade coletiva mais popular. "É um jogo de equipe, emocionante, e não há custos para os jogadores", diz o estudante de Engenharia da Unip Julio da Silva Ostronoff, de 27 anos, envolvido no rúgbi desde os 8 anos. "Tendo a bola, basta um calção, camiseta e tênis."

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