Jogar objeto pela janela rende multa e 4 pontos

Autuações são raras, mas estão previstas em lei; flagrantes de falta de educação dos motoristas estão espalhados por todas as rodovias

JOSÉ MARIA TOMAZELA, O Estado de S.Paulo

19 Fevereiro 2011 | 00h00

Jogar lixo ou objetos do carro é falta média, punida com 4 pontos na carteira de habilitação e multa de R$ 85, pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Dependendo do volume e do material, o infrator pode ser enquadrado por crime ambiental.

O motorista ainda corre o risco de ser autuado por fiscais das prefeituras. De acordo com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, 90% das cidades de portes médio e grande (acima de 100 mil habitantes) têm leis que punem com multas o lançamento de lixo em margens de estradas. A secretaria não dispõe de dados sobre as cidades menores. O valor das multas é fixado com base na Unidade Fiscal do Município (UFM), que varia de cidade para cidade - a de São Paulo, por exemplo, é de R$ 102,02.

As autuações, no entanto, são raras. Um policial rodoviário que atua na Rodovia Castelo Branco disse à reportagem que nos últimos 12 meses não se lembra de ter aplicado nenhuma multa. "Se tem lixo, é porque alguém joga, mas o faz longe da polícia", ressalva.

Mas basta rodar pelas rodovias, como fez a reportagem na semana passada, para se ter amostras da falta de educação dos motoristas. Na Castelo, em Itu, uma mulher que dirigia um carro importado desceu o vidro apenas para jogar pela janela um saco plástico com embalagens de biscoito. Os ocupantes de outro carro dispensaram duas garrafas vazias no acostamento quando trocavam um pneu.

Na Santos Dumont (SP-79), em Tapiraí, a motociclista Andrea Rossi foi atingida na perna pela latinha de cerveja lançada de um carro que seguia em sentido contrário. Ela quase perdeu o controle da moto ao sentir o cheiro de urina. "Deu vontade de ir atrás do porcalhão." O trecho é cuidado pelo DER.

No km 103,5, em Votorantim, a reportagem flagrou um homem com um carrinho de mão despejando entulho e lixo no acostamento. Ele se identificou como "o Bigode do Pastel" e disse que apenas enchia um buraco existente no asfalto.

Acidentes. No km 109, havia lixeira da prefeitura de Piedade, mas o lixo, incluindo um vaso sanitário, estava espalhado na beira da pista. Os restos atraem cães e urubus e já causaram até acidentes, segundo o sitiante Claudinei Donizeti. "Um carro foi desviar do cachorro e bateu em uma caminhonete. Uma mulher e a filha ficaram feridas."

No km 89, além de garrafas PET e papelão, havia um sofá velho jogado na beira da pista. O auxiliar de limpeza Nilton Bento Santos, que há seis anos recolhe o lixo em um trecho de 17 quilômetros da Raposo Tavares, já achou até dinheiro. "Em 2010, somando tudo, deu R$ 360."

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