Jockey quita a 1ª parcela da dívida de IPTU: R$ 154 milhões

Débitos, que datam de 50 anos, foram parcelados e reduzidos via PPI; presidente ainda fala em venda de imóveis

/ D. Z. e R.B. , O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2011 | 03h03

Após 50 anos, o Jockey Club de São Paulo finalmente começou a pagar a milionária dívida de IPTU, a maior da cidade. No dia 15 de setembro, a entidade quitou a primeira das 120 parcelas de uma dívida renegociada para R$ 154 milhões. O débito original era de R$ 207 milhões, mas houve descontos no valor total após o clube aderir ao Programa de Parcelamento Incentivado (PPI), no fim de julho.

"Isso é um fato histórico, que só foi possível graças à criação do PPI. Para nós, isso dá uma grande tranquilidade para continuar a tocar a gestão do clube e fazer os novos projetos", diz o presidente do Jockey, Eduardo Rocha Azevedo. Com o início dos pagamentos, fica suspensa qualquer possibilidade de a Prefeitura tentar leiloar na Justiça imóveis do clube, como sua sede social no centro e o hipódromo da Cidade Jardim, na zona sul.

A negociação ocorreu após os procuradores da Prefeitura iniciarem o sequestro das receitas que entravam no caixa do clube desde 2010. De lá para cá, recursos arrecadados com eventos como Casa Cor, QBazar e Grande Prêmio Brasil de Hipismo foram bloqueados na conta do Jockey. "Era uma guerra jurídica. A Prefeitura bloqueava, nós conseguíamos uma liminar, desbloqueava, para depois bloquear de novo e por aí em diante", diz Azevedo. Segundo a Prefeitura, o montante arrecadado nas bilheterias de shows realizados na Chácara do Jockey e os aluguéis de casamentos nas duas sedes do clube também estão sob penhora do governo municipal - procuradores da Prefeitura chegaram até a fazer blitze nesses eventos para fiscalizar a arrecadação e garantir que todo o dinheiro fosse bloqueado.

Cuidado. O presidente do clube comemora a atual fase de tranquilidade, mas mantém a cautela em relação ao futuro. "Não é que o Jockey está nadando de braçada. Ainda estamos com problemas, mas bem menores que há três meses", afirma. De acordo com ele, ainda não houve nenhuma grande reformulação nas finanças do clube, mas em um futuro próximo deverá haver uma "reestruturação" econômica, que possivelmente vai envolver a venda de imóveis e outros patrimônios. "Não o nosso hipódromo, claro, que é 'imexível'. Mas ainda estamos definindo como será essa reestruturação."

Atualmente, todo o terreno de 151 mil m² da Chácara do Jockey, na Vila Sônia, zona oeste de São Paulo, já foi declarado de utilidade pública pela Prefeitura. O Município declarou a intenção de fazer do local um parque voltado ao esporte.

Azevedo, porém, acredita que a situação deverá reverter-se após o início dos pagamentos da dívida do clube. "Como agora não existe mais aquela situação de clube devedor, vamos estar em uma posição mais confortável para negociar com a Prefeitura sobre esse assunto", afirma. Anteriormente, o Jockey já havia planejado construir apartamentos no local para levantar verbas para quitar a dívida.

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