Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Jockey do Rio negocia 20% do terreno

Projeto prevê escritórios e centro comercial no lugar de cocheiras e casas da vila hípica e ajudaria a cobrir prejuízo anual de até R$ 20 mi

Bruno Boghossian, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2010 | 00h00

O projeto de um novo centro empresarial em uma das áreas mais nobres e cobiçadas do Rio pode desativar quase 20% do terreno do histórico Jockey Club Brasileiro, entre a Lagoa Rodrigo de Freitas e o Jardim Botânico, na zona sul. As 2 mil cocheiras e as casas da vila hípica devem dar lugar a prédios de escritórios de alto padrão com três andares, centro médico e centro comercial com restaurantes, livrarias e deck, abertos à população.

A proposta ainda precisa ser votada pelos sócios do clube e aprovada por uma série de órgãos públicos por causa dos impactos no meio ambiente, no patrimônio, nas construções e no trânsito da região. Até o zoneamento do terreno, atualmente residencial, precisaria ser alterado para liberar a construção no trecho de 124 mil m².

O objetivo do clube é evitar um prejuízo anual que chega a R$ 20 milhões por causa da queda no volume de apostas nos últimos 15 anos. A construção do centro comercial, orçada em R$ 650 milhões, será paga pela Odebrecht e pela Performance Imobiliária, que vão explorar os imóveis por 50 anos em regime de concessão. O Jockey ficará com 12,5% da renda bruta.

Para levar a ideia adiante, o Jockey precisará receber sinal verde da prefeitura, de órgãos ambientais, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural. A área tombada do terreno não será modificada, segundo a presidência do clube, mas as construções no entorno precisarão ser aprovadas para evitar o bloqueio da visão do portão de acesso e das arquibancadas.

O trânsito da região, que tem grandes congestionamentos, também precisará passar por intervenções. Alças de acesso e novas pistas serão criadas em vias da Lagoa, do Jardim Botânico e da Gávea.

Projeto. As preocupações de sócios, urbanistas e moradores da região balizaram o trabalho dos responsáveis pelo projeto, assinado pelos escritórios dos arquitetos Paulo Casé e Eduardo Mondolfo. Os gabarito da área será respeitado e as fachadas das casas da vila hípica, preservadas.

"Sempre achei incrível o ambiente de vila no meio da cidade. Por isso, decidimos manter esse espírito e abrir o espaço para a população, sem impacto na vida do clube", diz Paulo Casé, morador da região e sócio do clube.

A entidade acredita que a transformação de quase um quinto do terreno não afetará o turfe, já que menos de metade das cocheiras está ocupada.

Responsáveis pelo clube e pelo empreendimento vão se reunir com associações de moradores para discutir o impacto da obra. "O trânsito e o aumento do movimento nos preocupam", avalia o presidente da Associação de Moradores do Jardim Botânico, Alfredo Piragibe Jr.

Essa não é a primeira proposta para a construção de prédios de escritórios na vila hípica do Jockey. Em 2007, o clube tentou tirar do papel um conjunto de salas comerciais, mas esbarrou na resistência dos sócios e em restrições ambientais. Na época, já havia problemas de caixa.

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